sexta-feira, 29 de agosto de 2008

eternidades da semana >> 23 a 29/08/2008

Mais uma vez, comentários e impressões imediatas a respeito dos discos ouvidos pela primeira vez esta semana.

VIRGULÓIDES - As Aventuras dos Virgulóides
(BMG, 2000)

Toda vez que ouço alguém falar que um artista adquiriu maturidade já fico com a pulga atrás da orelha e imagino uma das opções: (1) o fulano deve ter lançado um disco quadradinho, metido a cabeça e bom pra tocar em barzinho; (2) regravou chatíssimas figuras carimbadas da MPB; (3) está "revisitando" a bossa-nova com batidas eletrônicas e apresentando-a às novas gerações; (4) tudo isso junto...

Porém "maturidade" foi a palavra que me veio à cabeça pra definir o terceiro disco dos Virgulóides. E também ainda não será desta vez que os detratores vão gostar da banda: todos os defeitos ainda estão lá. Bem, quase todos. O vocalista canta a maioria das músicas com uma voz bem melhor do que o esganiço irritante que marcou os dois primeiros discos da banda. Não que eu não goste dos outros dois, gosto bastante até. Mas o vocal sempre foi o ponto fraco da banda. Seguido de perto pelas letras ridículas.

Estas, por sinal, estão melhores, ainda engraçadas (ou metidas a), mas mais contidas e certeiras. Esta mudança já se anunciava no disco anterior, em pérolas como A Tereza Quebrou. As letras continuam bem humoradas, falando sobre maconha, bebedeiras e baladas, porém mais contidas e menos pueris. Melhores, de um modo geral.

O som deixou a indefinição entre pagode e hardcore do segundo disco e apostou de vez no samba-rock. Aposta ganha: o som do Virgulóides neste disco é menos esquizofrênico (o que não é necessariamente bom) e mais bem resolvido (o que é necessariamente bom!). A banda está afiadíssima, com direito a um brasileirinho do capeta no fim de Sou Maloqueiro, E Daí?. O disco tem até mesmo uma balada, Loucura Boa, cuja letra traz um achado: "eu sei que eu não sou normal / e é exatamente isso que eu acho legal". Muito bom!

Com este disco, os Virgulóides pegaram uma ascendente, pena que foi o último.



SYSTEM OF A DOWN - Mesmerize
SYSTEM OF A DOWN - Hypnotize
(Sony, 2005)

Mesmerize e Hypnotize, discos lançados no mesmo ano, na verdade, seriam um disco só, duplo, mas que por questões comerciais acabou sendo lançado em dois discos simples, em um intervalo de aproximadamente 6 meses. O grande problema de se descrever estes discos é descobrir qual é o melhor.

No geral, é o mesmo System of a Down de sempre, o que é ótimo. Porém, algumas mudanças logo se fazem notar, como a atuação do guitarrista Daron Malakian dividindo os vocais com o cantor oficial Serj Tankian. As duas vozes fazem um contraponto bastante interessante em várias músicas, ainda que seja estranho ouvir SOAD com outra voz.

O som está mais melodioso que os anteriores (principalmente o Mesmerize), mas mantendo - e até ampliando - a mistura rítmica que é marca registrada da banda. A pancadaria também ainda está lá, intacta. As famosas misturas com música armênia também se fazem presentes. Destaques para B.Y.O.B., Violent Pornography, Cigaro, Attack, Soldier Side, Kill Rock n' Roll e Stealing Society.

Pra quem gosta da banda, é só alegria. Quem não gosta vai continuar não gostando. Quem não conhece, não sabe o que está perdendo: rock n' roll vigoroso, um pouquinho de metal (mas nada que assuste os não iniciados), excelentes melodias, ótimos músicos e vocalistas. Sofisticado sem ser cabeça e pop sem ser descartável, coisa que pouquíssimos conseguem. SOAD é uma banda extremamente criativa e inovadora, que inventou o próprio estilo. Estes dois discos apenas confirmam e ampliam esse status. Mesmerize/Hypnotize é System of a Down melhor do que nunca!

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