sábado, 9 de agosto de 2008

Raul Balada Seixas

Como bom fã de coisas-que-quase-ninguém-conhece como Graforréia Xilarmônica, Japanische Kampfhörspiele, Mula Manca, Behold... the Arctopus e El Efecto, costumo torcer o nariz para medalhões. Como um exemplo disto, só fui parar pra ouvir Los Hermanos de verdade em 2007, quando todo mundo e mais mil já sabiam de cor todas as músicas.

Assim, eu nunca havia ouvido Raul Seixas com atenção. Aproveitando que o clássico eterno Thiago Kerzer tem todos os discos, livros e badulaques afins do Raulzito, resolvi dar uma chance ao "pai do rock brasileiro", segundo o seu verbete no Wikipedia. Nunca me interessei muito por me evocar a imagem estereotipada do roqueiro tradicional, ortodoxo. E ortodoxo, no meu dicionário pessoal, significa "chato pra caralho". Definitivamente, essa coisa de Raul "Rock" Seixas nunca me atraiu. Gosto muito de rock, mas nada de ortodoxia. Porém, o cara é um clássico, não conhecê-lo decentemente é uma lacuna imperdoável e tal. Desse modo, resolvi essa semana saldar esta pequena dívida comigo mesmo e simplesmente colocar o baiano pra cantar. E não é que o bagulho é do bom? Do bom e bem diferente do que eu imaginava.

Primeiro, um monte de baladas. Muitas, inúmeras, sem fim. Começa a rachar a caricatura - que eu mesmo fiz sem conhecer - do tal Raul Rock Seixas (assim era como eu sempre pensava no sujeito). Depois, um bom número de intervenções de música nordestina, e isso bem antes do manguebit. Como foi uma maratona - acho que ouvi uns 15 discos em menos de uma semana - não me lembro de detalhes da maioria das músicas nem qual faixa é de qual disco. Se por um lado o viés "esotérico" algumas - muitas? - letras e algumas bobagens como Rock das Aranha me aborreceram um pouco, por outro há verdadeiros achados como Sapato 36 e Ouro de Tolo (esta eu já conhecia, também não sou tão desconhecedor-de-tudo-que-é-conhecido assim, mas não lembrava como era boa a letra). Outra coisa interessante foi ouvir novamente, coisa pouca de mais de 20 anos depois, Carimbador Maluco e sacar que há mais sentido do que supunha a minha infantil filosofia. Fãs do Raulzito normalmente são saudosistas e lembrei bastante deles ao ouvir A Verdade sobre a Nostalgia.

As melodias em geral são bem legais e, apesar de não ter uma boa voz, o sujeito é estiloso e carismático de sobra, tornando interessantes até mesmo músicas não tão boas.

Isto aqui não tem intenção de ser uma resenha, e eu nem ouvi com este sentido (e nem seria possível dada a quantidade de coisas, a maioria eu ainda nem assimilei). A idéia é apenas compartilhar impressões imediatas e relatar como os estereótipos escondem a verdade sobre as coisas. Por trás da imagem de roqueiro, "diabo é o pai do rock" e coisas assim se esconde um artista inquieto, multifacetado e, por vezes, genial. Um baladeiro que se dá bem até mesmo quando inventa uns forrozinhos. Pai do rock? Pffff...

2 comentários:

Rodrigo Rosselini disse...

É verdade, eu também tenho alguns preconceitos com o Raul Seixas. Mas acho que o problema não está nele, mas no "toca Rauuuul!!!" Tá nos sósias, nas jaquetas de couro e óculos Ray Ban, na tentativa de transformá-lo numa espécie de Elvis brasileiro, já que isso não colou com o bom-mocismo de Roberto Carlos e companhia.
Outra coisa que me afasta do Raul Seixas, como também (em menor medida) dos Mutantes, são as péssimas gravações dos anos 70 no Brasil. se gravava muito mal, não havia equipamento... aquela distorção de guitarra aguda demais, estridente, a bateria parece ter vários tons iguais e igualmente desafinados, um timbre horrível, não se ouve o bumbo... é meio complicado, não há remasterização que dê jeito. Mas, enfim, deve de ter mesmo muita coisa boa, com certeza, atrás do personagem.

Rodrigo Manhães disse...

É verdade, eu nem lembrei dos sósias e dos chatos nos shows. Talvez os seguidores sejam mesmo os maiores contribuidores para o estereótipo.

Boa parte das gravações mais antigas são mesmo muito ruins, mas isso não incomoda muito quem de vez em quando encontra gravações ainda piores feitas nos anos 00, em gravações de fundo de quintal. Eu já me acostumei a abstrair. :)