domingo, 23 de novembro de 2008

eternidades da(s) semana(s) >> 2 a 22/11/08

Escrever neste blog está mudando a forma como ouço música, pois tenho ouvido os discos mais devagar e de modo mais analítico. Por conseqüência, tenho ouvido menos coisas. Acho que a mudança é pra melhor.

Não foi desta vez que isto ficou semanal, mas um dia eu consigo. Vamulá!


PAULO MIKLOS - Paulo Miklos
(1994)



Nunca acreditei muito no Paulo Miklos, e não achava que seus discos solo seriam grande coisa. Daí que foi uma ótima surpresa o seu primeiro disco solo, lançado no distante ano de 1994, porém somente ouvido por mim esta semana. Está longe de ser a revolução da música brasileira, mas é um disquinho bem legal!

De cara, se sobressai o excelente trampo de violões. O som soa algo como um neo-MPB ou um rock nacional mais sofisticado. Quando se consegue isto sem burocratizar a coisa toda - como Miklos conseguiu - é muito bom! Destaques para as músicas Ele vai se vender ("ele vai se vender/e por isso ele não vale nada" é um achado!) e Aos 500 Surfistas Ferroviários Mortos. Apesar de eu não ter prestado toda essa atenção nas letras, elas parecem ser boas, pelo menos têm um bom ritmo.

O único porém é que algumas músicas soam um tanto tediosas, especialmente se você ouve o disco várias vezes, mas nada que tire o mérito do disco como um todo.

Mais um disco legal entre os trabalhos "por fora" dos integrantes dos Titãs. Quem não conhece não sabe o que perde.


NÃO RELIGIÃO - A Verdadeira História de um Brasileiro
(1987)



Eu nunca havia ouvido coisa alguma do Não Religião, mas achava que era algo na linha Plebe Rude. Pois foi uma grande surpresa começar a ouvir este disco e ver um punk/hardcore imundo e mal gravado, com todos os cacoetes do gênero.

Confesso que não tenho muito a dizer sobre este disco, pois tenho tido bastante preguiça de ouvir coisas mal gravadas. Isto não me trouxe um grande desapontamento, pois várias músicas deste disco foram regravadas em melhores condições nos discos posteriores.

As letras são bem cruas e diretas, bem punk mesmo, sem qualquer sofisticação.

Destaques para o vocal parecido com Marcelo Nova na cover de Sérgio Reis (!!) Coração de Papel, a boa levada de Brasil e a porradaria de Atestado de Pobreza.


NÃO RELIGIÃO - Pegaram Jesus pra Cristo
(1991)



Quatro anos depois, o Não Religião aparece bem mais polido. As guitarras distorcidas continuam lá, mas o som é mais cadenciado e a gravação muito melhor. Porém, não gostei de cara da primeira música, Estado de Sítio. Mas o disco vai melhorando depois.

Apesar do som mais trabalhado, as letras continuam na mesma crueza do primeiro disco, o que às vezes as faz soar deslocadas. E as letras que se tentam menos punks não se saem melhor.

Destaques para as músicas Jesus Crucificado no Poste da Light, Te Dói, Qualquer Tipo de Religião e Mulher no Caos no País do Carnaval.

Esta última seria apenas um amontoado de grosserias machistas ("você quer mulher pra quê? só pra comer/ você quer mulher na cama? diz que a ama"), porém o título aludindo a mulher no país do carnaval é brutalmente irônico.


NÃO RELIGIÃO - Ninguém Me Escuta
1994



Em Ninguém Me Escuta a banda aparece ainda mais cadenciada. As letras, porém, ainda são tão toscas quanto as do primeiro disco.

O destaque absoluto vai para a excelente versão de A Face de Deus, megaclássico dos Inocentes.

Outras músicas legais são: Pecado, cuja letra lista de modo curioso as coisas que "é pecado!!!"; Tra-La-Lá, cujo início me lembrou muito Garotos Podres; Ninguém Me Escuta, que lembra um pouco CPM-22 e coisas do tipo mas ainda assim é legal; A Sangue Frio, um metal, sobre o massacre do Carandiru.

Dos três é o que considero o melhor disco da banda, pelo menos foi o único que ouvi várias vezes.

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