segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Quem quer manter a ordem?

Estava há pouco lendo um texto bastante lúcido - como sempre - no Urgente vinculando os "insignificantes infortúnios urbanos" à desgraceira das catástrofes anuais naturalizadas. Não naturais, naturalizadas mesmo. Querem um exemplo? Hoje pela manhã vi em um programa na televisão - Balanço Geral, acho - o apresentador mostrar os alagamentos na região e terminar desejando força e coragem aos atingidos para superar a situação, como se esta fosse apenas uma cega e aleatória catástrofe natural. Seria explicável se fosse a primeira vez, mas as cheias se repetem periodicamente. Ou seja, ao invés de inesperadas as inundações são anunciadas. Estou longe de ser especialista neste tipo de coisa, mas não acredito que não haja meios técnicos para pelo menos minimizar o problema. Como agora, os diques irregulares em propriedades rurais foram apontados como catalisadores da cheia em Ururaí. Ora, é preciso esperar dar merda para explodir diques construídos irregularmente? Pois é, em lugar de contribuir para diminuir o problema, a conivência cuida de o agravar. E a reação da mídia oficial é simplesmente naturalizar a situação. Tem gente que acredita.

O curioso é que eu nem ia falar disto. O que me motivou a escrever foi um comentário no post do Urgente que linkei no início, de uma pessoa que pedia o estabelecimento da "ordem". De minha parte, eu dispenso. Com pedidos de "ordem" sempre vem junto muito mais coisa, e nada bom. Da última vez que pediram isso, o país foi sequestrado durante 21 anos. Eu gostaria simplesmente de respeito ao espaço público, cidadania, essas coisas, e creio que era disto que falava o post. Essa coisa de "ordem", é melhor que fique mesmo só na bandeira. E olhe lá.

Um comentário:

George Gomes Coutinho disse...

aí figura, pode achincalhar a ordem o quanto quiser.. Só não esqueça de nosso artigo ;)

Podemos conversar já em janeiro.. E acho que é o momento ideal pois é o meio caminho entre as festas e o início do semestre.