sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

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RAIMUNDOS - Kavookavala
(2002)



Com a saída de Rodolfo da banda, no que me dizia respeito, era o fim dos Raimundos. Na época, sequer procurei saber do humilde primeiro disco da banda sem o cara, o Kavookavala. A começar pelo nome sem sentido e que bate mal no ouvido.

Um belo dia, sete anos após o lançamento: "Caralho, não custa dar uma ouvida no disco". Logo de cara, uma surpresa: apesar da letra ser uma bobagem completa, a primeira música, Fique, Fique é muito boa, ume excelente pegada, um clima meio Lapadas do Povo. Segue com Crocodilo Meio-Kilo, outra letra boba, outro bom hardcore, mas desta vez mais limpo. Logo em seguida a boa pegada morre com Joey, uma tentativa de evocar músicas de sucesso da banda como Mulher de Fases (inclusive tem um pequeno trecho do refrão com a mesma melodia vocal), mas eu não gostei. E segue o disco, com seus altos e baixos e recorrentes tentativas de emular os velhos Raimundos, como a reedição de Nariz de Doze na faixa-título, até a temática da letra é semelhante. E por aí vai, El Mariachi lembra alguma música, cujo nome agora me foge à memória, do Só No Forevis (sim, jovens que não alcançaram a época, eles gravaram um disco com este nome).

No meio do disco, uma pérola chamada Mas Vó, a letra é um pouco melhor que a maioria e a música é algo meio rap com um refrão bem legal. Princesinha é boa pra entrar na trilha de Malhação. Atitude Severa traz um som bem legal, baixo e guitarra mandando muito bem (mas a letra é a média do disco: horrível). Um destaque vai para Baixo Calão, a música mais pesada do disco (talvez da discografia dos Raimundos) e - como era de se esperar - mais boca-suja, uma singela homenagem à classe política brasileira com mensagens amorosas como "Tu e tua família vão sentar no pau do cão". Baixarias à parte - ou talvez justamente por causa delas - é a melhor música do disco, lembrando um DFC em seus momentos mais insanos.

Kavookavala soa como um disco de transição, e na verdade era, com a banda ecoando influências de diversos discos anteriores. Não que a saida de um único integrante tenha que desencadear uma revolução, mas algumas músicas lembram demais outras de discos anteriores. Digão se dá bem substituindo Rodolfo nos vocais e o maior problema do disco são as letras. Saíram com o ex-vocalista as putarias e os hinos maconheiros e entraram algumas letras bobas demais que não chegam a ser engraçadas e soam apenas pueris, com apenas alguns poucos acertos. Infelizmente a transição iniciada neste disco não teve para onde se estender: nunca mais a banda gravou regularmente (há um disco tosco feito em 2005 mas que ninguém ouviu falar). Segundo o Wikipedia a banda ainda está na ativa e deve gravar algo em 2009.

2 comentários:

Dianna Pinheiro disse...

Olá!

Esta é a primeira vez que leio o seu blog!
Peço para não levar tão a sério o que escreverei sobre os raimundos, pois apesar dos pesares, contínuo "fanática" pelos tais..

Começarei "falando" sobre um dos posts anteriores, sobre o ecad, no ínicio do post e também dos comentáios, achei bastante interessante, a curiosidade sobre o trabalho da ecad, e sem puxar o saco da ecad; Como vc mesmo disse, se vc for músico e não for membro de nenhuma associação,a ecad com certeza não servirá para nada, mas como tb foi dito em um comentário, no dia que sua música for seu "trabalho", vc vai "viver" a diferença, e om certeza será membro de alguma associação ""da vida"..
E..pq músico gosta tanto de reclamar, qnd alguém pensa (ou ao menos tenta)pensar e agir pelo seu direito como músico...vcs vão lá e falam mal, descobrem logo um defeito(alguém fez/pensou em alguma coisa melhor?!)

Enfim, foda-se..não sou música(e sim esta palavra está certa)..

Sobre Raimundos:Com a saída do Rodolfo, seria o fim dos Raimundos? Resposta:Nunca se saberá...

sete anos após o lançamento:puts,com certeza vc nao era um fã, muito menos, um simples ouvinte curioso...

Ao final sobre letras;Como sempre, nunca contente..ou é boba demais,ou romântica demais, por vezes achar que é demais, "agora eu embirrei vou berrar feito criança"-se não me engano é assim...

Todas as letras remetem "completamente" seus autores..Concordando com Mas vó e baixo calão (principalmente)(todos os mesmos autores da maioria das músicas anteriores,anteriore mesmo!!)

Por, disco de transição, esta é hora de errar; como posso dizer: Quase lá.

Com a incrível observação:Nenhuma banda é a mesma dentro de uma gravadora, entes ,durante e depois...

Sobre,disco tosco de 2005; a baixaria de volta...

Sobre, banda na ativa, sim e com alguns novos integrantes.. (alguns shows,e até "aparição" na tv)

Rodrigo Manhães disse...

Olá Dianna!

Sobre o Kavookavala, eu realmente não gostei muito dele. De negativo, as letras; de positivo, Digão nos vocais.

Mas dos Raimundos, ainda fico com os 5 primeiros. O primeiro, em minha opinião, é um disco fundamental do rock brasileiro, reabilitando o português em uma época em que o inglês estava se tornando a língua oficial do rock feito no Brasil e prenunciando a mistura de música brasileira com pop, rock, hardcore, metal e outros que, hoje, todo mundo faz. Um legado destes nas costas pesa: pelo menos em meus escritos, sempre vou cobrar muito dos Raimundos.