terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Nós e as empresas

Tive a infelicidade de passar ontem, por duas vezes - ida e volta -, pelo pedágio da BR-101, localizado em Campos, um pouco antes da divisa com Conceição de Macabu. Não há como evitar a sensação de ser roubado. Ainda mais sabendo dos absurdos de bloqueios em caminhos alternativos e acessos a comunidades1. Seria até explicável a cobrança de pedágios - mas não justificável! - se a BR-101 fosse uma estrada de 3 vias + acostamento em cada mão. Sendo uma ridícula estrada de 1 via por mão e em alguns trechos sem acostamento, não há - repito - como não ter a sensação de sofrer uma grande sacanagem. Além, óbvio, do tempo que se perde nas filas. Como parece que a empresa tem 20 anos para duplicar trechos da BR, parece um consórcio onde todos receberão o prêmio só no final: paga-se agora para ter uma estrada decente sabe lá quando.

Em casos assim se observa facilmente o imenso abismo de forças que há entre empresas e cidadãos. Seja em relações trabalhistas, seja como consumidor/cliente, seja como "usuário" - compulsório, diga-se - de postos de pedágio.

É interessante como a natureza das relações se altera dependendo da via, se empresa-->cidadão ou cidadão-->empresa. Imagine que a você é prestado um serviço qualquer: luz, telefone, internet, tv a cabo, entrega de mobília comprada em uma loja. Qualquer um, não importa. Imagine que há uma falha qualquer no serviço: atraso de entrega, corte no serviço, intermitẽncia, serviço inferior ao contratado, cobrança indevida, qualquer um, também não importa. Se você entrar em contato para reclamar, invariavelmente vai ouvir educadas desculpas e "estamos trabalhando para resolver seu problema". Veja, é uma relação pessoal, parece que você está falando com um amigo: "Pô, foi mal aí, pode deixar que eu resolvo e mais tarde a gente toma uma cerveja, valeu sangue?". Se, por outro lado, é o cliente que falha com a empresa - atraso de pagamento, basicamente - a relação é contratual: multa e juros. Ora, aqui não valem as desculpas "estamos trabalhando para pagar seu boleto"? Ou imagine ser cliente e funcionário da mesma empresa e estar com salários atrasados - que serão pagos um dia sem um centavo de juros - mas ter que pagar o boleto em dia ou então encarar o par multa-e-juros. Afinal, o cliente tem que "compreender", o funcionário tem que "vestir a camisa". E a boa e velha recíproca, fica onde?

No fundo, é a reedição de um velho ditado: "Para as empresas, tudo; para os cidadãos, a lei".


1 Sinta a dimensão da agressão ás comunidades lendo os comentários ao post linkado.

2 comentários:

Vitor Pepicon disse...

Deu coceira ler seu post, Rodrigo. Somos passivos demais. Ah, e faltou colocar o "Autopista Fluminense" no texto para que o encontrem.

Quanto à duplicação só espero que após as obras do valor do pedágio não triplique.

Abraço!

Guuh. disse...

Realmente e revoltante essa situação em que nós nos encontramos hoje, certa vez emuma palestra de um desses Empresarios hipocritas semi-fachistas ele teve a coragem de abrir a boca e dizer a frase de um papamais hipocrita ainda que era: "Não a nada de mais Nobre em um homen que criar um negocio para admitir pessoas e dar lhe trabalhos."
Deu vontade de gritar, "- sim, mas o lucro é seu! lembre-se disso!"
Vivemos em ummundo onde somos sómais numeros, nada mais!