sábado, 21 de novembro de 2009

PITTY - Chiaroscuro

(2009)



É sempre bom receber nos ouvidos um candidato a melhor disco do ano. Chiaroscuro é um trabalho de peso e Pitty parece ter amadurecido bastante desde o já longínquo Admirável Chip Novo.

O disco abre muito bem com 8 ou 80, cometendo as pérolas "me dou bem com os inocentes/mas com os culpados me divirto mais" e "não conheço o que existe entre o 8 e o 80". Não bastasse a boa letra, o som é pesado na medida certa, bem tocado e com uma
vocalização legal no final.

Chiaroscuro é como um todo muito bem produzido, especialmente os vocais. Vozes sobrepostas com e sem variações de tom em praticamente todas as músicas e um monte de efeitos legais.

O som está menos pesado que os anteriores, com Pitty se dando ao luxo de experimentar outros ritmos, vide o quase-tango do início de Água Contida.

As letras do disco estão bem legais e muito acima da média do que se faz atualmente no Brasil. É interessante, em um universo tão masculino como o rock, ouvir um disco com letras tratando tão diretamente do universo feminino. Os casos mais explícitos são Me Adora e Desconstruindo Amélia. Esta última, por sinal, é provavelmente a melhor do disco, ótima melodia e um achado a comparação feita no título da figura da Amélia com a visão da mulher moderna que tem que lidar com o trio trabalho/filhos/vida pessoal.

Como sempre, lá venho fazer as ligações malucas de crítico-wannabe: Fracasso me lembrou Terminal Guadalupe, talvez a melodia seja parecida com alguma música do A Marcha dos Invisíveis, sei lá.

Além das citadas vale destacar a boa dosagem de metal e rock de Medo, o hit Me Adora (só de uma música legal ser hit já é uma grande coisa hoje em dia) e os bons ritmo e letra de Trapézio.

Chiaroscuro é um ótimo disco, dificilmente estará fora da minha listinha dos melhores de 2009.

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