sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

ARNALDO ANTUNES - Iê Iê Iê

[2009]




A primeira impressão foi "esse disco é uma merda!". Iê Iê Iê é, sem dúvida, um disco estranho. Principalmente para quem não é lá muito fã de pop, é preciso querer gostar dele e superar a primeira e, talvez, a segunda e a terceira impressões. O título do disco não é à toa: o tom é neojovemguardista do início ao fim. Mas por trás da duvidosíssima estética, é o bom e velho Arnaldo Antunes em ótima forma, principalmente em se tratando das letras.

Musicalmente é aquela coisa jovem-guarda, o instrumental é contido e sem maiores destaques (a exceção talvez seja a faixa-título), recitando melodias ultrapops (mas que soam esquisitíssimas algumas vezes sob a tétrica voz do Arnaldo, mesmo que ele nunca tente soar assim). Em um trabalho assim, as letras chamam bastante atenção. Não fosse Arnaldo um excelente letrista e - por que não? - intérprete de suas próprias composições, o disco estaria seriamente prejudicado.

O disco, após um bom começo com a faixa-titulo Iê Iê Iê, mas deslancha mesmo a partir da sexta música, Invejoso, com bons ritmo e letra. A partir daí é uma música legal atrás da outra, com destaques para Envelhecer, Sua Menina e Um Kilo.

Certamente não é o melhor disco da carreira solo do Arnaldo Antunes, mas é um bom disco: Iê Iê Iê é muito mais do que se poderia esperar de um disco com motivos jovemguardistas. Porém, com a evidente exceção das letras - e ainda que a intenção não seja exatamente a mesma -, ainda prefiro Graforréia Xilarmônica ou Video Hits fazendo isso.

3 comentários:

agitadorcultural disse...

Rodrigo, vê se começa a colocar links pra ficar mais fácil de baixar os cds resenhados!

Rodrigo Rosselini disse...

Eu gostei do disco, apesar desses Hammonds bem Jovem Guarda mesmo, mas é a estética proposta. Achei legal por ser um trabalho conceitual... acho que parte (guardadas as proporções) do mesmo princípio de "O Papa é Pop".
Gostei muito da música "Envelhecer". Acho que ela traduz um pouco também do conceito central do disco.
Não acho nada Pop.
Abração!

Anônimo disse...

Adoro!!