quarta-feira, 21 de julho de 2010

ECAD novamente (a última, espero!) + blog abandonado

Este ano eu deixei o blog abandonado. Apesar disto ser um clichê, creio que no meu caso seja verdade: peço desculpas a meus 7 leitores e estou agora em mais uma tentativa de mantê-lo regularmente atualizado. Vamos lá!

Já que o momento é de volta, é hora de tocar a bola pra frente, mas não sem antes pagar algumas dívidas com o passado. Há alguns meses, iniciei uma discussão aqui sobre ECAD e direitos autorais, inicialmente questionando os caminhos pelos quais o dinheiro vai parar nas mãos de quem é, em tese, devido. Depois, levantei a bola de novo ao ver a Karina Buhr reclamar em seu twitter a respeito das cobranças do ECAD. Em ambas as postagens, as discussões nos comentários foram mais interessantes que o meu texto e vale a pena que sejam lidas.

E o que isso tem a ver com as tais "dívidas com o passado"?

Algum tempo depois da segunda postagem, recebi um e-mail de alguém que assinava por "Marketing ECAD" discorrendo a respeito da lisura e idoneidade da instituição. Porém, os pontos questionados por mim e pelos comentaristas (que inclusive contaram casos reais acontecidos com os próprios) não foram atacados:
  • Como se pode aceitar pagamento sem saber exatamente quais foram as músicas e seus autores?
  • Uma vez que o pagamento é feito mesmo se as músicas tocadas não forem registradas, o dinheiro vai pra quem?
  • Se as músicas forem de domínio público, o dinheiro vai pra quem?
  • Se as músicas forem de autores que, por um motivo ou outro, não podem ser facilmente encontrados, o que se faz com o dinheiro?
  • É verdade que o dinheiro que sobra - esse aí mesmo que não vai pra ninguém - é dividido entre o top 50 (ou algum outro número)? Se é verdade, isto é justo? Ou não é um Robin Hood ao inverso?

Enfim, nenhuma destas perguntas foi respondida pelo "Marketing ECAD". Segue abaixo a íntegra da mensagem.


de ecadnaweb@ecad.org.br
para rmanhaes@gmail.com
data 28 de dezembro de 2009 17:18
assunto Ecad
enviado por ecad.org.br

28/12/09

Prezado Rodrigo Manhães,

O Ecad (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição) está direcionando seus esforços para aprimorar o relacionamento com os usuários de música, com o objetivo de intensificar os esclarecimentos sobre o pagamento de direitos autorais de execução pública musical no Brasil.

Percebemos que você postou um comentário no no blog “Fanatismo Indeciso” sobre a falta de fiscalização do Ecad. Gostaríamos de esclarecer que o trabalho do Ecad é auditado anualmente por empresas independentes de renome no mercado, e por órgãos públicos como Receita Federal e INSS, sendo seu desempenho aprovado ano após ano. Além disso, apesar de não haver obrigação da instituição em divulgar seu Balanço Patrimonial e Social e Relatório de Sustentabilidade, por ser uma entidade privada sem fins lucrativos, a instituição faz questão de divulgar tais resultados em jornal de grande circulação e no site www.ecad.org.br, comprovando sua transparência e ética profissional. Sua conduta correta levou a instituição a receber prêmios como o Certificado de Empresa Cidadã, concedido duas vezes pelo Conselho Regional de Contabilidade do Rio de Janeiro; Prêmio Responsabilidade Social – Segmento de Serviços Diversos, concedido pela Revista Isto É Dinheiro; e Prêmio Balanço Social, recebido por dois anos seguidos.

Informamos que, em 2008, fruto de um trabalho sério e responsável, o Ecad distribuiu R$ 271 milhões em direitos autorais de execução pública musical para 73.700 titulares de música como compositores, cantores, músicos, editoras musicais e gravadoras. Ao longo dos último 8 anos, o desempenho da instituição fez com que a distribuição de direitos autorais crescesse 222%, resultado dos investimentos feitos em tecnologia, controle dos processos, qualificação das equipes e na comunicação com o mercado.

Por fim, ressaltamos que sempre trabalhamos e continuaremos a atuar na defesa de milhares de compositores, intérpretes e músicos aos quais representamos. E é justamente o respeito e apoio da classe artística que nos dão forças para cada vez mais vencer resistências de grupos que buscam desacreditar o trabalho da instituição e desrespeitam a propriedade intelectual. Refletem esse apoio a participação gratuita de artistas como Fagner, Sérgio Reis, Alcione, Dudu Nobre, Tato, João Roberto Kelly, Martinho da Vila, Durval Lelys, na campanha "Vozes em defesa do direito autoral", que tem como objetivo a valorização do talento dos criadores musicais reconhecido através do pagamento dos direitos autorais.

Agradecemos seu contato, colocando-nos à disposição para eventuais esclarecimentos.

Atenciosamente,
Marketing Ecad.


Percebam que "Marketing ECAD" agradece o contato (apesar de eu não ter feito nenhum) e simpaticamente se coloca à disposição para maiores esclarecimentos. Infelizmente, eu não respondi na época oportuna o e-mail, e não o farei agora, quase 7 meses depois. Porém, fica o registro pra quem acompanhou a discussão e o endereço pra quem quiser estender o papo.

Eu estava pra colocar isso aqui faz um tempão e toda vez que ia postar não lembrava.

Bom, dívida paga, bola pra frente!

2 comentários:

Anônimo disse...

Agora você já tem 8 leitores!rs

Mariana

Rodrigo Manhães disse...

Obrigado!! São poucos mas bons!