quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

JAPANISCHE KAMPFHÖRSPIELE - Bilder Fressen Strom

[2010]



É muito legal ser fã do Japanische Kampfhörspiele (a.k.a. JaKa), já que os caras lançam um disco atrás do outro. Para se ter uma idéia, só em 2009 foram um disco ao vivo, um EP e dois splits. E, melhor que isso, Bilder Fressen Strom é o melhor disco da banda desde Hardcore aus der Ersten Welt, lançado em 2004.

Na modesta opinião deste escriba, JaKa é o melhor deathgrind da atualidade, e já há um bom tempo, o que este disco apenas confirma. São 27 músicas de puro deleite. Esqueça a embolação e a busca por velocidade quase que como um fim em si mesma típicas do estilo. Esqueça o purismo grindcore em que cada música tem que ser mais rápida e incompreensível que a anterior. Aqui pressão, velocidade, vocais alucinados, cozinha brutal, riffs matadores, bateria muito bem tocada e criativa vêm dosados em uma verdadeira aula de metal (ou grindcore ou death metal, whatever...).

Na verdade, apesar da banda se definir como "grindpunk", o som deles vem gradualmente se tornando mais próximo do death metal. Neste disco, por exemplo, há muito mais groove que blast beats, o que em mãos menos talentosas poderia se assemelhar a uma adesão ao sistema ou qualquer coisa do tipo. Mas não aqui.

O disco começa rapidíssimo e completamente quebrado com os mais de 5 minutos de Die Schlachtung. Porém o disco traz de instrumentais quase viajantes como Milchkrieg até experimentalismos proto-eletrônicos em Jochbeinbruch. Mas nem só de "novidades" vive Bilder Fressen Strom: as faixas com menos de 30 segundos estão lá para alegrar a nação grindcore, como Deutschland sucht den Superstar, Tod im Tank, Goldene Mitte, Der Arsch, Angriff auf der Zivilisation e Auto.

Outros destaques vão para o ótimo ritmo de Schmerzrakete (outra instrumental); Effizienz, um thrashão muito legal; o dueto de vocais (?!) de Fresssucht; Lebendgewicht,outro instrumental bem quebrado, chegando a lembrar os Dream Theaters da vida. E, em meio a tanta novidade, até mesmo um JaKa mais tradicional em Sorgsam Durcheinandergebracht e Everything Is Fine.

O vocal gritado de Markus Hoff está mais limpo, sequer chegando a poder ser considerado rasgado, enquanto o gutural de Martin Freund é a mesma podreira de sempre. Christof Kather continua detonando na bateria e seu instrumento continua sendo o carro chefe da banda, ainda que não se sobressaia tanto quanto nos trabalhos anteriores da banda. O que é bom, pois antes era um pouco excessivo. O disco tem um monte de faixas instrumentais, o que remete a Sektion Jaka, primeiro disco da banda (que, modestamente, a banda chama de "demo").

Os aficcionados que me perdoem, mas o metal é um estilo que carece de boas cabeças, que façam coisas diferentes, que inovem. No metal vigora meio que um sentimento de tribo onde se dá muito valor e importância ao reforço das características padrão do gênero. O resultado disto é que o metal é um estilo bastante saturado, com um monte de gente fazendo coisas iguais às outras e, particularmente no mundo grind, tentando soar mais rápidos e pesados que os outros. Bilder Fressen Strom, ao contrário da corrente, é basicamente um disco de canções, em uma busca constante de novos caminhos.

Enfim, Bilder Fressen Strom é um excelente disco. Agora é rodar até furar e esperar que o próximo venha tão breve quanto este.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

ARNALDO ANTUNES - Iê Iê Iê

[2009]




A primeira impressão foi "esse disco é uma merda!". Iê Iê Iê é, sem dúvida, um disco estranho. Principalmente para quem não é lá muito fã de pop, é preciso querer gostar dele e superar a primeira e, talvez, a segunda e a terceira impressões. O título do disco não é à toa: o tom é neojovemguardista do início ao fim. Mas por trás da duvidosíssima estética, é o bom e velho Arnaldo Antunes em ótima forma, principalmente em se tratando das letras.

Musicalmente é aquela coisa jovem-guarda, o instrumental é contido e sem maiores destaques (a exceção talvez seja a faixa-título), recitando melodias ultrapops (mas que soam esquisitíssimas algumas vezes sob a tétrica voz do Arnaldo, mesmo que ele nunca tente soar assim). Em um trabalho assim, as letras chamam bastante atenção. Não fosse Arnaldo um excelente letrista e - por que não? - intérprete de suas próprias composições, o disco estaria seriamente prejudicado.

O disco, após um bom começo com a faixa-titulo Iê Iê Iê, mas deslancha mesmo a partir da sexta música, Invejoso, com bons ritmo e letra. A partir daí é uma música legal atrás da outra, com destaques para Envelhecer, Sua Menina e Um Kilo.

Certamente não é o melhor disco da carreira solo do Arnaldo Antunes, mas é um bom disco: Iê Iê Iê é muito mais do que se poderia esperar de um disco com motivos jovemguardistas. Porém, com a evidente exceção das letras - e ainda que a intenção não seja exatamente a mesma -, ainda prefiro Graforréia Xilarmônica ou Video Hits fazendo isso.