domingo, 11 de abril de 2010

Vamos Fazer Barulho!: Uma radiografia de Marcelo D2

(Bruno Levinson, Ediouro, 2007)



Sou fã de primeira hora do Planet Hemp, mas não acompanho tão de perto a carreira do Marcelo D2. Assim, ler este livro me soou um pouco como rever um velho amigo. Independente disto, Vamos Fazer Barulho! é uma boa diversão, leve e despretensiosa.

Logo de cara, o autor já anuncia na apresentação que o posicionamento é completamente parcial: não uma biografia, mas uma "radiografia autorizada". O próprio autor, Bruno Levinson, criador do Festival Humaitá Pra Peixe, é personagem privilegiado dos acontecimentos, amigo do Marcelo D2 e de vários dos outros personagens da história toda. Isto não é algo bom ou ruim em si, e, de qualquer modo, ninguém lerá coisa alguma enganado.

Outro fator que chama a atenção de cara é o alto nível do acabamento e a grande quantidade de fotografias.

O formato do livro é de entrevistas, com personagens dos mais diversos: a mãe do D2, o empresário Marcelo Lobatto, o ex-produtor do Planet Hemp Marcelo Pereira, a atual esposa e as duas ex e até mesmo uma curta entrevista com o desembargador Siro Darlan, que foi o grande crítico (perseguidor?) do Planet Hemp na mídia. Além, claro, do próprio D2.

Entre os assuntos abordados, a infância, a prisão, a mudança de underground pro mainstream, os casamentos, os filhos, as loucuras e, claro, maconha.

Ainda que a condição do autor ser um amigo tire bastante do interesse, digamos, jornalístico do livro, por outro lado, a familiaridade com o ambiente e a informalidade das entrevistas torna o texto extremamente fluido e interessante, principalmente para os fãs do velho Planet, uma vez que há muito pouca informação sobre coisas ocorridas em tempos pré-internet em termos de bastidores da música.

O problema do caráter chapa-branca do livro é que mesmo as entrevistas onde se esperaria um tom mais áspero, principalmente a ex-mulher Manuela, o clima geral é de ver o D2 como um "menino travesso" ou coisa do tipo. Por outro lado também, eu pessoalmente não curto essa coisa de fuxicar a vida das pessoas. O tom geral do livro é de um documentário onde o próprio autor é também ator e manifesta suas opiniões nunca diretamente, mas sempre através de seus posicionamentos e escolhas. Polêmicas como, por exemplo, brigas entre D2 e os ex-integrantes do Planet Hemp são apenas citadas mas nunca esmiuçadas (isso sim, eu gostaria muito de ler mais detalhes!). Como ponto negativo, o autor deixa entrever algumas vezes que sabe mais do que escreve, o que é natural sendo ele um amigo bem próximo, mas irrita bastante em alguns momentos. A coisa toda chega, em certas situações, às raias de uma hagiografia. Novamente, porém, gostando-se ou não, o leitor foi avisado desde o início.

No fim das contas, é uma boa leitura, especialmente para fãs. Vale a viagem.