segunda-feira, 9 de novembro de 2009

+2

+2 - Ímã
(2009)


Apesar dos discos individuais de Moreno Veloso, Kassin e Domenico Lanceloti no projeto +2 não terem sido lá essas coisas, eu esperava um pouco mais do primeiro disco deles como banda.

Primeiro, o álbum é todo instrumental, o que torna tudo mais difícil. Não que instrumentais sejam ruins, mas é muito mais difícil fazê-los interessantes do que seria com discos com voz. Não é qualquer um que sabe fazer um La Villa Strangiato.

Contra o disco pesa o fato de que ele não incomoda (talvez, porém, seja justamente a intenção). Música ambiente perfeita, fiquei os 40 minutos do disco programando e o som não me atrapalhou em nada. O começo do disco é muito chato, mas vai melhorando do meio para o final.

As boas do disco: Padre Baloeiro tem um quê de experimental, com uma vocalização interessante e uma batida bem quebrada; Você Reclama tem uma linha de sopro/teclado/whatever (depois repetida com guitarra) muito legal; Sopro também foge à pasmaceira das músicas do início do disco; Em Volta de Você, não sei bem porquê, me lembrou um pouco Los Hermanos, é legalzinha; Percepção tem uma boa jogada de cordas.

Enfim, é um disco bonzinho, e só. Fica quase despercebido em meio à enxurrada de trabalhos interessantes de 2009.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

vitor pirralho e unidade

VITOR PIRRALHO E UNIDADE - Pau-Brasil
(2009)



Rap/hip-hop são estilos que eu simpatizo mas conheço muito pouco além dos clássicos, como Racionais MCs, MV Bill, G.O.G. (o melhor, recomendo a quem não conhece!), dos pops, como Gabriel o Pensador e Marcelo D2, e dos nem-clássico-nem-pop como BNegão ou Black Alien.

Pois tem mais um para entrar na ainda curta lista de rappers que eu conheço: Vitor Pirralho e Unidade. O nome do artista é esdrúxulo, o que é quase sempre um bom sinal. E o disco, intitulado 'Pau Brasil', é muito bom! É um trabalho poderoso, bem diferente do convencional.

O som é uma viagem por si só. Um caldeirão de referências e estilos, samba, música meio jamaicana-ou-algo-assim, experimentalismos light, quebradas de ritmo, tanto que praticamente nenhuma música segue os padrões do gênero. Ainda assim, é bastante acessível e não teria problemas em agradar pessoas de paladares auditivos mais pop. Não tem letras excelentes, não tem refrões pegajosos, mas é um som muito legal de ouvir. O disco ainda conta com participação especial do Wado em duas músicas. Destaques para o bom ritmo de "Tupi Fusão", o experimentalismo e a boa letra de "Versos Negros" e o sambinha torto "Abaporu Self Serve-Se".

Vitor Pirralho é professor de literaura e o trabalho deixa claro o tempo inteiro a influência de antropofagia cultural, o que só reforça o caráter singular deste "Pau-Brasil" (lembrem-se que é um disco de rap). Lá pelas tantas, na última música, o rapper reclama de sofrer preconceito dentro da cena rap, o que, depois de ouvir todo o disco, é uma informação que não surpreende.

Como se não bastasse é viciante, já rodou umas 10 vezes por aqui.

[edit 07/10/2009 - 01h49min]
Faltou o link para download: o site do próprio artista. Confiram! De quebra, além do "Pau Brasil", também tem o primeiro disco lá.
[/edit]

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Censura aos blogs em Campos

A esta altura todos já devem saber da tentativa do jornal (!?) Folha da Manhã (sem link, boicote!) de intimidação por via jurídica do blog do professor Roberto Moraes. Não é a primeira vez que o jornal (!?) utiliza este tipo de expediente e é uma vergonha que jornalistas (ou donos de jornais) façam este tipo de coisa, inclusive requerendo censura prévia.

Um alento, entretanto: a Rede Blog rapidamente se uniu no repúdio a este absurdo. O fato dos blogs estarem sendo perseguidos é uma demonstração de que realmente têm importância política na cidade ao quebrar o monopólio da informação. O admirável mundo velho do eu-falo-e-vocês-escutam acabou e um ato destes só pode ser entendido como desespero, além de fortalecer os blogs e mostrar que este é o caminho certo. Como disseram em um comentário por aí, sofrer certas coisas só engrandece o currículo do cidadão.

Aproveito para linkar o Urgente sobre o assunto. No mesmo blog há uma lista de links para manifestações na blogosfera.

dc comics no lance

SUPERMAN 64 e 65
BATMAN 64 e 65
LIGA DA JUSTIÇA 64 e 65
NOVOS TITÃS 45 e 46
SUPERMAN & BATMAN 33 e 34
UNIVERSO DC 10 e 11
OS MELHORES DO MUNDO 9 e 10

Tirando o atraso dos quadrinhos DC. Coleciono quase tudo da DC que sai no Brasil (não compro os especiais de coisas antigas, ler super-heróis de antes dos anos 80 é pura autoflagelação) mas não tenho lido desde meados do ano passado, quando perdi alguns números. Resultado: acabo de ler as edições de março e abril de 2008.

Vale destacar:
1) O início da reformulação do Superman por Geoff Johns e Richard Donner (sim, o diretor dos filmes clássicos do Superman). O que eles têm feito é, na minha opinião de fã chato, destruir a melhor versão de Superman, feita pelo John Byrne nos anos 80 e que perdurava até então, e substituir por conceitos toscos pré-Crise nas Infinitas Terras como Clark Kent desastrado e bobão, kriptonitas coloridas e com efeitos variados e a pior de todas as mancadas: Lex Luthor como um cientista louco e foragido. A melhor sacada do Byrne foi caracterizar Lex Luthor como um megaempresário, um verdadeiro filho da puta, um vilão real que via no Superman um empecilho a seus negócios. Nada de entrar em robôs gigantes para destruir Metrópolis (o que, por sinal, ele desgraçadamente já fez nesta nova versão). O ápice desta abordagem foi já nos anos 2000 e alguma coisa, com Luthor eleito presidente dos Estados Unidos. Infelizmente a DC não soube aproveitar isto. Mas vamos ver no que dá. Pode ser que eles consigam dar um bom enfoque a este revival.

2) A nova Liga da Justiça de Brad Meltzer parece ser legal. Depois do excelente arco centrado no Tornado Vermelho, a Liga se reagrupa. Só não gostei nem um pouco de eles ressucitarem a Sala da Justiça, igual a do desenho dos Superamigos. Será que é tão difícil perceber que o mundo anda para frente e parar de ficar catando migalhas do que foi feito no passado. Já não bastou terem cagado a origem da Liga pós-Crise e recolocarem a "trindade" como fundadora? Assim como no item 1, porém espera-se que consigam extrair algo legal disto.

3) O Coringa dos quadrinhos sofreu, nas competentes mãos de Grant Morrison, uma guinada mental e se aproxima da versão de Heath Ledger, com direito a boca rasgada e tudo mais. Uma mudança para melhor, pelo menos.

No geral, apesar de apanhar das resenhas do UniversoHQ mês a mês, estes dois meses tiveram boas histórias na DC, ainda que a premissa de resgate do duvidoso passado da DC não me agrade.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

capim maluco

CAPIM MALUCO - Flamingo
2008



O início promete um disco punk: Endoidar abre os trabalhos com um punk ramônico, vocal berrado e refrão "Eu vou endoidar, eu vou endoidar". Fica a impressão de que vai ser uma diversão ouvir o disco. Segue com As Moscas, que começa com violão e vocalização (!!), deixando o ouvinte com aquela cara de "Que porra é essa?". A letra é surreal: "As moscas transam no seca-louça/Para elas tanto faz/As moscas transam no seca-louça/Para elas qualquer lugar". A impressão passa a ser de um saco de gatos do qual se pode esperar qualquer coisa. O que também não deixa de ser bom. A próxima, Fool, começa com um som que lembra o rock brasileiro dos 80, algo como um Hojerizah com overdrive. A partir daí, variações dentro dos estilos das 3 primeiras músicas. Destaques para Fííí, Lago Seco, Wasted n' Old e o final sem noção de Sem Noção. Não é um disco que você vai lembrar daqui a alguns anos, mas é divertido. Vale a audição.

sábado, 8 de agosto de 2009

quadrinhos de junho (ainda...)

CRISE NAS MÚLTIPLAS TERRAS
Gardner Fox (roteiro), Mike Sekowsky (desenhos), Bernard Sachs e Sid Greene (arte-final)
(Panini Comics, 2008 - DC Comics, EUA, compilação de 1963 a 1966)


OS MAIORES CLÁSSICOS DOS VINGADORES - VOLUME UM
Roy Thomas (roteiro), Neal Adams, John Buscema e Sal Buscema (desenhos)
(Panini Comics, 2006 - Marvel Comics, EUA)


Definitivamente, os quadrinhos de super-heróis só chegaram à maturidade nos anos 80, pelas mãos de Alan Moore, Frank Miller e companhia. É a impressão que tenho toda vez que leio quadrinhos mais antigos como estes dois.

Crise nas Múltiplas Terras tem uma premissa bem interessante: mostrar as histórias nas quais foi sendo o formado o conceito do multiverso da DC Comics, e que veio a dar no melhor crossover já escrito, Crise nas Infinitas Terras. Se Crise nas Infinitas Terras foi o fim do multiverso - pelo menos durante 20 anos -, Crise nas Múltiplas Terras vem mostrar o início. Era preferível, porém, permanecer na ignorância. O que CIT tem de genial, CMT tem de horrível. Vou ser sincero: eu nunca li histórias em quadrinhos tão toscas. Eu sequer imaginava que pudesse existir algo tão ruim. É irônico perceber que um conceito tão legal quanto o multiverso surgiu em histórias com premissas ridículas, tramas ridículas e caracterizações de personagens ridículas. A Panini até que tentou dourar a pílula com capa dura e papel de luxo, mas o resultado é merda banhada a ouro. Só vale para colecionadores fanáticos ou alguém que, como eu, não fazia idéia da furada. Sequer consegui ler até o final. Quer um conselho? Passe longe!

Quanto à revista dos Vingadores, faz parte de uma coleção da Panini que visa publicar histórias clássicas de quadrinhos DC e Marvel. No caso, a história é a famosa Guerra Kree-Skrull, um arranca-rabo entre impérios alienígenas que encontra a Terra pelo caminho. Pra quem não lembra de quem se trata, os Vingadores são um grupo formado classicamente por Capitão América, Homem-de-Ferro, Thor e outros menos cotados. A história está longe de ser o lixo que forma Crise nas Múltiplas Terras, mas a trama é demasiado ingênua, confusa e o final força o suspension of disbelief até a ruptura. Fraco também.



FUGITIVOS: FUGINDO EM NOVA YORK (Marvel Especial #10)
Joss Whedon (roteiro)
(Panini Comics, 2008 - Marvel Comics)


Depois das bombas citadas, Fugitivos é um colírio mental. A premissa do grupo é bastante boa e Joss Whedon consegue criar uma história cheia de idas e vindas e prender a atenção até o fim. Histórias de grupos sempre têm o problema das personalidades de alguns integrantes ficarem indistintas ao leitor pela não exploração devido à quantidade de personagens. Aqui, Whedon consegue dar vida independente a cada um dos personagens, fazendo o leitor se preocupar com o destino deles. Sem falar que histórias de viagens no tempo, quando bem executadas (como é o caso), rendem excelentes tramas. Destaque para a interessantíssima relação entre a "fugitiva" Karolina, uma alienígena gay com aparência perfeitamente humana e Xavin, um superskrull (e, como skrull, transmorfo) em treinamento que se assume a forma e a personalidade de uma garota humana para namorar a Karolina. Outro ponto positivo é que a relação é explorada sem estereótipos nem cerimônia, rendendo ótimas situações.


OS LIVROS DO DESTINO (Universo Marvel Anual #2)
(Panini Comics, 2008 - Marvel Comics)

A história é um documentário biográfico sobre Victor Von Doom, narrado pelo mesmo e por pessoas importantes em sua vida. Muito bem escrita, prende do início ao fim, mostrando a infância em uma tribo cigana e os primeiros envolvimentos com magia e tecnologia, a ida para os EUA, o primeiro encontro com Reed Richards, a origem de suas deformações e por fim a revolução que o leva ao trono da Latvéria. Recomendo!


CONAN: AS JÓIAS DE GWALHUR

Embora eu nunca tenha me empolgado com nada do Conan, também nunca li nada que achasse ruim. Esta não foge à regra: é bem escrita, movimentada e tal. Não fará um não leitor de quadrinhos se render, mas é uma boa pedida pra quem curte. A história retrata a juventude de Conan e suas maquinações para obter um tesouro que o deixaria milionário: as Jóias de Gwalhur. Mas também há outros querendo a mesma coisa. Vale a leitura.


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A intenção de escrever sobre tudo de novo que é lido, visto, ouvido ainda está de pé. As informações faltando se devem ao fato de que as revistas não são minhas e já foram devolvidas no momento em que escrevo.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

eu fui >> people flex 3

Depois de um tempão sem ir a shows de metal, lá vou eu. A maior curiosidade era em relação ao show do Anesthesia of Beer e o show não desapontou. Mas vamos começar do começo. O show estava marcado para as 15 horas, e eu cheguei às 17:30, achando que já teria perdido bastante coisa. Constatei, entretanto, que a cena de Campos não muda e o primeiro show, do Evil Invaders, ainda não havia começado. Não muda em termos, pois nos tempos do Viagra era a (falta de) organização que causava os atrasos; no show de ontem foram as bandas. Nenhuma - exceto a banda que veio de Aracaju-SE - estava com todos os integrantes presentes. As primeiras, pelo menos, deveriam. E nem rola, com razão, uma banda visitante - e de longe - abrir os trabalhos.

Lá pelas 18 horas começa o Evil Invaders, daqui de Campos. Banda legal, o pessoal toca bem, mas é aquela coisa: thrash metal oitentista é tão minha praia quanto música popular do Quirguistão. Eu não conhecia nenhuma das músicas, exceto uma do Sepultura do disco Schizophrenia, mas que não me lembro o nome. Show legal mas de um estilo que não gosto.

A segunda, Left Hand, de Barra de São João-RJ, tem um som legal, um estilo mais próximo das coisas que eu ouço, lembrou um pouco Zero Vision dos bons tempos, com aquele típico desespero cadenciado. Gostei.

Depois veio o esculacho: Anesthesia of Beer. O pessoal falava bem da banda, mas superou todas as minhas expectativas. Pressão total, som muito pesado, o povo enlouquecido na roda, gente subindo no palco pra pular na roda e cantar pedaços das músicas toda hora. As músicas, clássicos imediatos do rock campista. Tenho, há tempos, uma teoria de que o público de metal de Campos só gosta de putaria. Tente pensar, de uns 15 anos pra cá, nas músicas das bandas de metal locais que ficaram famosas na cena e vai ver que boa parte é putaria. A estas vêm se juntar pérolas como Cerveja Gelada Buceta Raspada, Raining Beer e Pelado no Mosh. Nesta última um dos guitarristas ofereceu um adesivo a quem fizesse o que sugere a música. Felizmente ninguém atendeu ao apelo. Mas a melhor do show foi Petisco Madness. Não há como não sair cantando(?!) também: "Petisco madness/Larica way!!" Muito bom e melhor show da noite entre os que eu vi.

Após o A.O.B., foi a vez dos macaenses do Antes da Guerra. Minha expectativa, como fã de grindcore, era alta com a banda, mas não gostei muito. O som estava absurdamente embolado e não era possível entender quase nada. Pressão a banda tinha de sobra e era um trio, o que já faz ganhar vários pontos na minha escala. Mas o som realmente não ajudou.

Depois disto ainda vinham Nucleador (os caras de Sergipe) e os campistas do Residuus. Só que o sono - e eu ainda tinha que passar no supermercado - não me permitiu ficar mais. Residuus então fica pra próxima e Nucleador talvez pra nunca.

Esqueci de levar a máquina - esqueci, na verdade, que escreveria o relato do show -, então nada de fotos. Se eu achar algo rede afora, linko aqui.

sábado, 4 de julho de 2009

orquestra brasileira de música jamaicana

ORQUESTRA BRASILEIRA DE MÚSICA JAMAICANA - OBMJ (2009)



O nome me atraiu de cara. Nomes esdrúxulos indicam, no mínimo, personalidade. Para o bem ou para o mal. Neste caso, felizmente, para o bem é pouco. A idéia dos caras é tocar, em forma de reggae e ska - e algo de jazz -, clássicos da música brasileira como Águas de Março, O Barquinho, Carinhoso, Tico-tico no Fubá e - pasme! - O Guarani. E ainda tem uma ótima música própria, Ska Around the Nation, que não deve nada às versões dos clássicos.

Eu pensei que nunca, em momento algum, fosse dizer que músicas como as citadas são divertidas (as considero, na verdade, o oposto), mas esta é a palavra para as versões da OBMJ. Além de serem muito bem tocadas e com arranjos pra lá de criativos. Vale a pena mesmo! Sobre os integrantes, há membros de bandas como Pato Fu (não esperem John ou Fernanda, é o tecladista Lulu Camargo), Funk Como Le Gusta e Skuba.

E o melhor de tudo, você pode baixar aqui.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

às moscas

blog às moscas, quase um mês sem atualizações - e quando vem alguma é uma nulidade como essa! - mas estou com um monte de novidades pra ouvir e ler. o problema é que só tenho ouvido coisa velha: titãs (sim, eu sei que saiu disco novo!), engenheiros do hawaii, los hermanos...

tenho respeitado à risca aqui no blog a promessa de postar sobre tudo de novo que tenho ouvido/visto/lido. o problema é: além de só ouvir coisa velha, não tenho visto nada e só tenho lido blogs. quem sabe não é uma nova coluna: "direto do meu google reader"? pensando bem, melhor não.

a quantidade de apetrechos da indústria cultural acumulados, porém, já começa a ficar maior que minha preguiça.

quem viver verá.

terça-feira, 26 de maio de 2009

3namassa

Tentando versões curtas das coisas ouvidas, vamos ver se desta vez desenrola.


3NAMASSA - Na Confraria das Sedutoras
[2008, Brasil]

É uma parada estranha. Um som meio eletrônico/samba/low-profile, músicas compostas por figuraças como Rodrigo Amarante, Jorge du Peixe, China, Marcelo Campelo, Fernando Catatau e outros, cantadas por outras figuraças como Thalma de Freitas, Céu, Pitty e recitadas/monologadas por algumas atrizes como Simone Spoladore e Leandra Leal. A intenção era certamente evocar sensualidade mas o resultado final, salvo algumas exceções, me soou caricato. Da metade pra frente já dá uma certa vontade de que o disco termine logo. Os destaques vão para os desempenhos das cantoras citadas e para um rap cantado por Lurdes da Luz. Vale pela curiosidade.

terça-feira, 5 de maio de 2009

E os apreciadores de bons quadrinhos perdem mais uma...

A Ediouro rescindiu o contrato com a DC - ou seja, nada mais de Vertigo, Wildstorm e ABC nas bancas brasileiras.

E ainda resta saber o que vai acontecer com Corto Maltese...

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Tri sobre os três

O quinto tri do Flamengo não foi apenas sobre o Botafogo, mas sobre os outros times chamados "grandes" do Rio também. Senão vejamos:

- Botafogo
Este é o óbvio: um tricampeonato com as três finais sobre o Botafogo. Freguês.

- Fluminense
Acabou a única coisa que o Fluminense tinha mais que o Flamengo: o número de títulos estaduais. Perdeu.

- Vasco
Bom, o Vasco foi eliminado de 4 a 0, e pelo vice-campeão. E vai disputar a segunda divisão do campeonato brasileiro esse ano. Contra esse nem precisa fazer nada. Só falta mesmo Eurico Miranda voltar pra festa ficar completa. Fodido.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Em que mundo você prefere estar?


Todos os que me conhecem sabem que sou um entusiasta do software livre. Software livre não é apenas "programa de graça". Um software livre pode ser não só copiado como modificado e passado adiante, vendido e utilizado do modo que melhor convier ao usuário. Só não pode ser fechado, ou seja, qualquer redistribuição de modificações tem que acompanhar o código-fonte modificado - ou seja, o modo como o software foi feito nos seus mínimos detalhes. Em outras palavras: a única restrição é que as modificações e extensões realizadas sobre estes softwares não podem deixar de ser livres. Se isto não é o maior instrumento de democratização tecnológica que já existiu, sequer posso imaginar qual seria. Além disto, excetuando-se nichos - multimídia, CAD, games e alguns poucos outros - os softwares livres estão entre os melhores. Na minha área de trabalho, desenvolvimento de software, as melhores alternativas são livres. Eu não trabalho atualmente com tecnologia alguma que não seja livre, e não é por custo, mas por pura opção técnica. Qualidade.

Porém este não é um blog técnico e não é disto que quero falar. Estava agora formatando o computador e instalando o Windows Vista Home Edition e o Linux Ubuntu 9.04, depois de um ano exclusivamente com Linux no computador. A instalação do Windows se tornou necessária por motivos de compatibilidade com arquivos DOT com formatação de artigos para congressos científicos. Esta exigência é ridiculamente tosca: além de prender o pesquisador a uma plataforma proprietária (o que, por si só é um absurdo em se tratando de ciência), o Word é um editor de texto muito vagabundo. Qualquer um que já tenha editado um documento de maior porte no nele ou que tenha muitas imagens sabe o inferno que é: problemas de posicionamento de imagens e tabelas, lentidão quando o documento aumenta de tamanho ou tem muitos objetos, esquema tosco de divisão por seções e muitos outros. Para textos científicos deveria ser exigido o uso de uma ferramenta como o LaTex, principalmente na área de computação, para os quais a desculpa da dificuldade não cola.

Reclamações à parte, também ainda não é sobre isto que queria escrever. Ainda que não fosse a qualidade superior, o software livre seria um lugar legal simplesmente pela filosofia e pelo tipo de ambiente em que se está e pela maneira como o usuário é tratado.

Na contracapa do "Guia Rápido de Introdução" do Windows Vista Home Basic (ver foto) há um antipático texto dizendo que o usuário não poderá usar o produto se não cumprir "integralmente" os "procedimentos" de ativação. Em português claro, o usuário precisa provar que não é ladrão (sim, ladrão, pois não eles mesmos que dizem que "pirataria é crime"?). Ou seja, o infeliz vai lá, compra o software (mesmo que venha no computador, o custo está embutido) e ainda tem que fazer malabarismos para provar que o software que comprou é realmente dele. O texto ainda avisa que, dependendo do que se for fazer, pode ser necessário completar a coisa por telefone e, claro, pagar as tarifas cabíveis (sim, o texto também adverte o infelizusuário disto.

Eu tirei a foto acima para mostrar os dois softwares, apesar do Linux que eu instalei ser uma versão mais recente (esta da foto é a que eu tenho a caixinha, é de outubro de 2008 - por isso 8.10 - e, sim, já está ultrapassada, negando a lenda de que softwares livres são pouco atualizados). Além disto, eu havia digitado o tal texto antipático para postar aqui. Porém, lendo um pouco mais o tal "Guia Rápido", vi que nenhuma parte dele pode ser reproduzida em nenhum meio sem a autorização expressa da "Microsoft Corporation". Daí, optei porfui obrigado a excluir o texto e empastelar a foto (afinal a imagem também é parte do livrinho, certo?).

Bom, este é o mundo do software proprietário. A você, usuário, cabe sacar o cartão de crédito e ter como única escolha a forma de pagamento. Ou então a pirataria. A maioria das pessoas acha que estas são as únicas relações possíveis com software e se acostumam. Ah, e ainda vivem acossadas pelo medo de vírus o tempo todo.

Há um outro mundo possível, que é o software livre. Assim como fizemos com o Windows, façamos uma análise do conteúdo da caixinha do Ubuntu. O Ubuntu é uma distribuição Linux orientada ao usuário final cuja instalação pode ser baixada do site deles ou você pode se cadastrar no site deles para receber o CD em casa, de graça. Eu já pedi o CD da versão 9.04 (que saiu no dia 23/04/2009) mas evidentemente ainda não chegou, então baixei a ISO do CD. Bom, vamos ver o que o Ubuntu nos diz (deste eu posso reproduzir o texto sem ferir "direitos autorais", e fico aqui imaginando que direito autoral poderia haver em um texto ridículo e burocrático como aquele do Windows). Como o texto não precisa se ater a mesquinharias, é sucinto e informal. Cito algumas frases:
- Ubuntu will always be free of charge, including enterprise releases and security updates.
- Ubuntu CDs contain only free software applications; we encourage you to use free and open source software, improve it and pass it on.
- This CD can be used to install Ubuntu on an unlimited number of PCs, desktops and laptops. So install it, enjoy it, and pass it on to your family, friends and colleagues!

Em uma tradução livre:
- Ubuntu sempre será livre de custos, incluindo lançamentos "enterprise" e atualizações de segurança
- Os CDs do Ubuntu contêm apenas aplicações de software livre; nós estimulamos você a usar software livre e de código aberto, melhorá-lo e passá-lo adiante.
- Este CD pode ser usado para instalar Ubuntu em um número ilimitado de PCs, computadores de mesa e laptops. Então instale-o, desfrute-o e passe-o adiante para sua família, amigos e colegas!


Quero deixar claro que software livre é um modelo de negócio, não é filantropia e nem as empresas que produzem software livre o fazem por desapego e amor à humanidade. Porém, é um modelo mais democrático, evita pagamento de royalties a empresas estrangeiras, permite maior liberdade de troca de informações e, como não há limitação de royalties e nem segredo industrial, qualquer um, em qualquer país, pode estar em pé de igualdade com o fabricante para o oferecimento de consultorias. Além disto, o software pode ser customizado por interessados.

Diante de tudo isto, em que mundo você prefere estar?

domingo, 19 de abril de 2009

eternidades da semana >> 13 a 19/04/09

Tenho estado preguiçoso pra ouvir música nova ultimamente. Como disse em post anterior, vou tentar um novo formato, escrevendo não só sobre os discos novos que ouço, mas sobre quadrinhos, livros, filmes, séries e tal. Vamos ver se tenho disposição pra isso.

Nesta semana, só quadrinhos:

Skizz: Contato Imediato
(Alan Moore e Jim Baikie, Pandora Books, 2003 - 2000 A.D., Inglaterra, 1983)

Um extraterrestre (Skizz) com defeitos em sua nave cai na Inglaterra - mais precisamente, em Birmingham - e faz amizade com uma garota que o ajuda a sobreviver às ameaças de agentes do governo inglês que temem que a criatura seja um ponta-de-lança de uma suposta invasão. Tenho esta HQ há tempos mas ainda não havia lido. Um tanto ingênua, não é uma das grandes obras de Alan Moore, mas é uma boa história, com ritmo fluente, divertida e bem acima da média geral das HQs. Interessante ver os dilemas de Skizz a respeito de sua crescente revolta pela violência dos terráqueos. Foi escrita no início da carreira de Moore, para a editora inglesa 2000 A.D. A arte de Jim Baikie não é genial mas segura a onda numa boa. Somente encontrável em sebos.


Surfista Prateado: Réquiem #1
Surfista Prateado: Réquiem #2

(J. Michael Straczynski e Esad Ribic, Panini Comics, 2009 - Marvel Comics, EUA, 2008)

O Surfista Prateado descobre que está a duas semanas da morte. É o estopim para uma excelente história tendo como pano de fundo uma discussão filosófica sobre a vida e a morte e a importância do que fazemos no período entre as duas. O Surfista é um personagem com um forte viés filosófico, uma espécie de Horácio do universo Marvel (ou o Horário é o Surfista da Turma da Mônica?). Personagens assim são arriscados, pois qualquer excesso do escritor pode pôr tudo a perder. Felizmente, Réquiem fica longe disto. Tudo que o escritor, J. Michael Straczynski, tem feito de meia-boca com o Homem-Aranha foi pago com juros aqui. Não há o que criticar na história. A arte de Esac Ribic - primeira vez que leio algo dele - apenas valoriza o ótimo texto. Faz muito tempo que não leio algo assim vindo do mundinho dos super-heróis. Se você correr, provavelmente, ainda encontra as duas edições nas bancas.


Justiceiro Anual #2
(Vários autores, Panini Comics, 2007 - Marvel Comics,EUA, 2004, 2006, 2007)

Para quem não conhece, o Justiceiro (Frank Castle) é um psicopata que teve a família - mulher e um casal de filhos - assassinada por mafiosos e que depois disto dedicou a vida a matar crimimosos, do ladrão de galinhas aos chefões da máfia e colarinhos brancos. Há alguns anos o personagem vem sendo escrito por Garth Ennis (Preacher, Hitman), que faz um excelente trabalho. Tanto que neste anual, das quatro histórias, escritas por Stuart Moore (a primeira), Andy Diggle (a segunda) e Garth Ennis (as duas últimas), é fácil perceber que todas seguem o cânone que Ennis definiu para o personagem, mas apenas o próprio consegue retratar o universo de decadência e desespero que emana de Frank Castle e dos que o cercam. As duas primeiras são boas histórias, mas ainda assim servem apenas de aperitivo para aquelas escritas por Ennis. Na primeira, em uma trama que lembra um pouco as histórias do Batman, o Natal serve de oportunidade para Castle encontrar os assassinos de um menino e um policial. Na próxima, um mafioso delator sob o programa de proteção à testemunha tem seu paradeiro encontrado pelos ex-colegas que entregou: um orfanato na noite de Natal. Na terceira, uma viagem à infância de Castle, cercada de violência. Na segunda, oportunamente intitulada "O Fim", o leitor é levado a um distópico futuro onde uma guerra nuclear total praticamente dizimou a humanidade. Só estas duas últimas já valem a revista inteira. Se encontrar em algum sebo por aí, leve. Eu mesmo pretendo fazer isto, já que a edição que eu li é emprestada.


Homem de-Ferro: Extremis #1
Homem de Ferro: Extremis #2
Homem de Ferro: Extremis #3

(Warren Ellis e Adi Granov, Panin Comics, 2006 - Marvel Comics, EUA, 2005)

Depois de Authority, espero tudo que é feito por Warren Ellis com alta expectativa. Desta vez, relativamente frustrada. A narrativa fragmentada é conduzida de modo excelente e a ótima arte de Granov ajuda bastante na fluidez. As cenas de luta são de encher os olhos. Porém, a história é meio simplória: pesquisas militares vazam para um grupo de terroristas que criam uma arma biológica, uma mulher pede ajuda ao herói da vez e só o Homem de Ferro poderá blá-blá-blá. Como é Ellis e não um tosco qualquer que escreve, a história tem vários detalhes que enriquecem a leitura. Mas é um tema meio batido. Salvam-se as tradicionais tiradas políticas do escritor, como quando contrapõe Stark - um industrial com estreitos laços com os militares estadunidenses - a um clone de Michael Moore e o diálogo entre o psicopata Mallen defendendo a Ku-Klux-Klan e modo WASP e uma moça anti-fascista. Resumindo: ler Homem de Ferro: Extremis está longe de ser um sacrifício, mas também não chega a ser algo memorável. Passa de ano, mas não com louvor.

domingo, 12 de abril de 2009

Semana sem eternidades

Prometi outro dia a volta das postagens com as mini-resenhas do que foi visto/ouvido/lido na semana. Não têm sido cumpridas por um prosaico motivo: não tenho visto/ouvido/lido absolutamente nada. A principal culpada desta vez não é uma nova linguagem de programação ou framework, mas simplesmente a boa e velha preguiça - também conhecida como "A Nobre Arte De Não Fazer Porra Nenhuma". Como, porém, a fila só aumenta, semana que vem certamente teremos novidades.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Cinema brasileiro na planície

Mostra de cinema brasileiro no SESC-Campos. Começa amanhã e vai até agosto. Muito provavelmente estarei lá. Informação de Alexandro F. no Urgente.

sábado, 28 de março de 2009

Nós e a China

Que a China é mestra em matéria de censura, todos sabemos. Sendo uma ditadura, alguém poderia esperar algo diferente? Que as empresas, desde que possam ganhar sua grana, esquecem da porção política de suas idéias liberais, também sabemos.

Porém, é impressionante como a grande mídia - e até bloguinhos bushianos como o citado - ignora solenemente coisas gravíssimas que acontecem na nossa "democrática" porta, como a censura ao programa da TV Câmara (veja o link). Mais graves, aliás, do que acontece na China ou Irã, por sermos, em tese, uma democracia.

Ademais, é risível tentar, nesta época de fluidez da informação digital, esconder um vídeo se valendo de censura. Pra quem quiser, a coisa toda está no Youtube. Caso não tivesse sido censurada, certamente eu e quase todos os outros não a teríamos visto nem linkado.

terça-feira, 24 de março de 2009

Enquanto fecham a Discografias...

...mais e mais bandas independentes optam por liberar seus trabalhos para download, pois entendem que, sem jabá, a livre troca de arquivos é o melhor meio de divulgação de seu trabalho. Como exemplo, trecho de entrevista com Karina Buhr, do Comadre Fulozinha.

“Vou Voltar Andando” foi feito em SMD, o que faz podermos (e até devermos, pois é uma condição do formato) vender os discos por R$5,00. Vendemos por e-mail no bandacomadrefulozinha@gmail.com (com o frete fica por R$9,00) e nos shows por R$5,00. Em breve, talvez hoje ainda, eu suba no www.sombarato.org, no www.penduradoparasecar.blogspot.com e no www.tramavirtual.com.br
.

segunda-feira, 23 de março de 2009

E não é campanha...

Se alguém se importa, as eternidades da semana voltam no próximo fim de semana, e serão realmente semanais, abrangendo discos, livros, filmes, séries, shows e qualquer outra coisa mais-ou-menos cultural que eu tenha encarado durante a semana. Vamos ver o que sai disto.

Câmbio, desligo.

sábado, 21 de março de 2009

Desafio cumprido, enfim

Recebi um desafio do Rodrigo Rosselini - postar o que vem na 5ª linha de uma página qualquer do livro que se está lendo no momento - e venho cumpri-lo, antes tarde do que nunca:

Este grandioso resultado da análise de Gödel não deve ser mal compreendido: não exclui a prova metamatemática da consistência da aritmética. Exclui sim uma prova de consistência que pode ser espelhada pelas deduções formais da aritmética.

Prova de Gödel, de Ernest Nagel e James R. Newman, Coleção Debates, Editora Perspectiva, 2ª ed, 1998, página 85.

Sempre tive curiosidade a respeito dos tais Teoremas da Incompletude de Gödel e isto me reativou a curiosidade. Os assunto é brutalmente casca-grossa; os autores do livro, porém, prometem que o texto pode ser compreeendido por leitores com "reduzidíssimo preparo matemático e lógico". A coleção de onde vem o livro, por outro lado, não é exatamente um for dummies. Como ainda estou na introdução, não sei em que isto vai dar. Se daqui a uns dias eu for capaz de compreender o texto que citei já estarei muito satisfeito.

Faz um tempinho, eu fiz esta brincadeira aqui no blog, mas não passei à frente (ou seja, se dependesse de mim, os memes estariam extintos), mas, para não quebrar a corrente, faço agora. O problema é que aparentemente todo mundo na blogosfera campista já está nessa, como observado aqui (claro, eu levei 12 dias pra responder a uma progressão geométrica, o que poderia esperar?). Outro problema é que boa parte dos blogueiros que eu conheço têm blogs com temas específicos, o que diminui um pouco o espectro, mas vamos tentar.

Passo a bola para Khristofferson Silveira, Agitador Cultural, Thiago Kerzer e Maxoel Costa. Os dois últimos são blogueiros bissextos, mas vamos ver se se animam.

editado em 24/03/2009, 22h24min: agitador cultural disseminou o meme.

editado em 25/03/2009, 21h46min: Khristofferson também.

editado em 20/04/2009, 0h34min: Maxoel também.

domingo, 15 de março de 2009

O fanatismo não morreu, II

Um bom tempo sem escrever por aqui, a mesma justificativa. Desta vez, é isto que me rouba o tempo. Tentarei, porém, manter a programação normal.

domingo, 1 de março de 2009

Alan Moore, cinema e quadrinhos

Tenho dinheiro suficiente para ficar confortável. Tenho uma vida tranqüila, pago minhas contas no fim do mês. Não quero um monte de dinheiro que dependa de diluir algo do qual tenho orgulho. Essa é basicamente minha atitude quanto à idéia de meus trabalhos serem adaptados para qualquer outro formato.
Alan Moore, aqui.

Se mais criadores pensassem deste modo, teríamos muito mais coisas legais na tal cultura pop.

Quem assistiu a tosqueiras como Constantine ou Liga Extraordinária e leu as obras originais certamente tem muita razão a dar a Moore. Mesmo V de Vingança, um bom filme se analisado sem a comparação com a HQ, deturpa as motivações do personagem principal e sua relação com Evey.

Por outro lado, há quem tenha gostado muito do resultado da adaptação de Watchmen, considerada a obra máxima de Alan Moore. É esperar pra ver.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

pesos e medidas

Interessante o que vem acontecendo na Colômbia. Mais interessante ainda é que não há muito destaque na mídia. Mas e se fosse Chávez no lugar de Uribe?

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

eternidades da semana >> raimundos

RAIMUNDOS - Kavookavala
(2002)



Com a saída de Rodolfo da banda, no que me dizia respeito, era o fim dos Raimundos. Na época, sequer procurei saber do humilde primeiro disco da banda sem o cara, o Kavookavala. A começar pelo nome sem sentido e que bate mal no ouvido.

Um belo dia, sete anos após o lançamento: "Caralho, não custa dar uma ouvida no disco". Logo de cara, uma surpresa: apesar da letra ser uma bobagem completa, a primeira música, Fique, Fique é muito boa, ume excelente pegada, um clima meio Lapadas do Povo. Segue com Crocodilo Meio-Kilo, outra letra boba, outro bom hardcore, mas desta vez mais limpo. Logo em seguida a boa pegada morre com Joey, uma tentativa de evocar músicas de sucesso da banda como Mulher de Fases (inclusive tem um pequeno trecho do refrão com a mesma melodia vocal), mas eu não gostei. E segue o disco, com seus altos e baixos e recorrentes tentativas de emular os velhos Raimundos, como a reedição de Nariz de Doze na faixa-título, até a temática da letra é semelhante. E por aí vai, El Mariachi lembra alguma música, cujo nome agora me foge à memória, do Só No Forevis (sim, jovens que não alcançaram a época, eles gravaram um disco com este nome).

No meio do disco, uma pérola chamada Mas Vó, a letra é um pouco melhor que a maioria e a música é algo meio rap com um refrão bem legal. Princesinha é boa pra entrar na trilha de Malhação. Atitude Severa traz um som bem legal, baixo e guitarra mandando muito bem (mas a letra é a média do disco: horrível). Um destaque vai para Baixo Calão, a música mais pesada do disco (talvez da discografia dos Raimundos) e - como era de se esperar - mais boca-suja, uma singela homenagem à classe política brasileira com mensagens amorosas como "Tu e tua família vão sentar no pau do cão". Baixarias à parte - ou talvez justamente por causa delas - é a melhor música do disco, lembrando um DFC em seus momentos mais insanos.

Kavookavala soa como um disco de transição, e na verdade era, com a banda ecoando influências de diversos discos anteriores. Não que a saida de um único integrante tenha que desencadear uma revolução, mas algumas músicas lembram demais outras de discos anteriores. Digão se dá bem substituindo Rodolfo nos vocais e o maior problema do disco são as letras. Saíram com o ex-vocalista as putarias e os hinos maconheiros e entraram algumas letras bobas demais que não chegam a ser engraçadas e soam apenas pueris, com apenas alguns poucos acertos. Infelizmente a transição iniciada neste disco não teve para onde se estender: nunca mais a banda gravou regularmente (há um disco tosco feito em 2005 mas que ninguém ouviu falar). Segundo o Wikipedia a banda ainda está na ativa e deve gravar algo em 2009.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

eternidades da semana >> falcão

FALCÃO - What Porra is This?
(2006)



Um disco do Falcão lançado em 2006? Eu achava que a carreira do sujeito havia terminado há tempo, mas descobri que ele grava mais ou menos regularmente e este já é o oitavo disco.

As piadas têm o mesmo estilo dos primeiros discos - os únicos outros que conheço, por sinal - mas o som está claramente mais (pop-)roqueiro. Que ninguém espere, claro, algo como AC/DC ou Rolling Stones: trata-se de Falcão, nao se esqueçam. Mas é um pop-rock bregoso que remete a Mamonas Assassinas, legal de se ouvir e combina com a retórica filosófica falconiana. (O início de A Sociedade Não Pode Viver Sem as Pessoas lembra muito Mundo Animal dos Mamonas.) Tem até um forrozinho lá pelo meio do disco mas destoa bastante do conjunto.

Um forte ponto positivo, especialmente por ser exatamente a que o disco se propõe: é engraçado, com as tradicionais tiradas entre a ironia e o nonsense do Falcão: "Se grito resolvesse porco não morria/(...)/Se ferradura desse sorte burro não puxava carroça", em Amanhã Será Tomorrow; "No Brasil nem tudo está perdido, muito ainda há de se perder", em Fome Zero-a-Zero; "E desejo talvez um dia por acaso levá-la ao meu quarto, tirar sua calcinha, arrancar o elástico e fazer um estilingue pra caçar rolinha", em Quem Não Tem Cão Não Caça; "De ser você uma criatura sonsa igualmente a João Gilberto cantando uma bossa nova" em Desculpe Ter-Lhe Visto e por aí vai. A letra de Doa a Quem Doar é bastante inteligente e bem sacada. Na baladinha de violão e percussão Ordem e Progresso, a melhor tirada do disco: "Se Satanás morasse em Brasília seria, com certeza, aprendiz/Se político sem vergonha fosse areia e fila-da-puta fosse pedra-de-mão/Dava pra fazer na Rio-Bahia uma nova pavimentação".

Enfim, é um disco divertido, e um som legal, se você não o levar a sério. Bom pra ouvir tomando cerveja.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

O supra-sumo da nerdice

66

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Fazendo pensamento positivo

Parece que desta vez sai o álbum do Clássicos Eternos.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Nós e as empresas

Tive a infelicidade de passar ontem, por duas vezes - ida e volta -, pelo pedágio da BR-101, localizado em Campos, um pouco antes da divisa com Conceição de Macabu. Não há como evitar a sensação de ser roubado. Ainda mais sabendo dos absurdos de bloqueios em caminhos alternativos e acessos a comunidades1. Seria até explicável a cobrança de pedágios - mas não justificável! - se a BR-101 fosse uma estrada de 3 vias + acostamento em cada mão. Sendo uma ridícula estrada de 1 via por mão e em alguns trechos sem acostamento, não há - repito - como não ter a sensação de sofrer uma grande sacanagem. Além, óbvio, do tempo que se perde nas filas. Como parece que a empresa tem 20 anos para duplicar trechos da BR, parece um consórcio onde todos receberão o prêmio só no final: paga-se agora para ter uma estrada decente sabe lá quando.

Em casos assim se observa facilmente o imenso abismo de forças que há entre empresas e cidadãos. Seja em relações trabalhistas, seja como consumidor/cliente, seja como "usuário" - compulsório, diga-se - de postos de pedágio.

É interessante como a natureza das relações se altera dependendo da via, se empresa-->cidadão ou cidadão-->empresa. Imagine que a você é prestado um serviço qualquer: luz, telefone, internet, tv a cabo, entrega de mobília comprada em uma loja. Qualquer um, não importa. Imagine que há uma falha qualquer no serviço: atraso de entrega, corte no serviço, intermitẽncia, serviço inferior ao contratado, cobrança indevida, qualquer um, também não importa. Se você entrar em contato para reclamar, invariavelmente vai ouvir educadas desculpas e "estamos trabalhando para resolver seu problema". Veja, é uma relação pessoal, parece que você está falando com um amigo: "Pô, foi mal aí, pode deixar que eu resolvo e mais tarde a gente toma uma cerveja, valeu sangue?". Se, por outro lado, é o cliente que falha com a empresa - atraso de pagamento, basicamente - a relação é contratual: multa e juros. Ora, aqui não valem as desculpas "estamos trabalhando para pagar seu boleto"? Ou imagine ser cliente e funcionário da mesma empresa e estar com salários atrasados - que serão pagos um dia sem um centavo de juros - mas ter que pagar o boleto em dia ou então encarar o par multa-e-juros. Afinal, o cliente tem que "compreender", o funcionário tem que "vestir a camisa". E a boa e velha recíproca, fica onde?

No fundo, é a reedição de um velho ditado: "Para as empresas, tudo; para os cidadãos, a lei".


1 Sinta a dimensão da agressão ás comunidades lendo os comentários ao post linkado.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

resenha >> a caixa preta de darwin

Acabo de ler um curioso livro, chamado A Caixa Preta de Darwin: O Desafio da Bioquímica à Teoria da Evolução (1997), escrito pelo bioquímico Michael Behe, que defende o chamado design inteligente. Design inteligente representa, em bom português, a mais recente ponta-de-lança criacionista contra o evolucionismo. O argumento básico do livro - e também de DI, creio eu - é o seguinte: a complexidade de algumas estruturas presentes nos seres vivos não poderia ter surgido do mecanismo de mutações aleatórias + seleção natural conforme defendem os neodarwinistas, concluindo-se, daí, que apenas poderiam ter surgido pela intervenção de um projetista inteligente.

O livro argumenta que algumas estruturas e processos estudados pela bioquímica, como o funcionamento do sistema imunológico, a coagulação do sangue, a fotossíntese e outros, não poderiam ter surgido de acordo com o neodarwinismo, devido à sua imensa complexidade, tida pelo autor como uma "complexidade irredutível". Por este termo, ele entende que estes sistemas e processos não poderiam desenvolver-se gradualmente devido à imensa interdependência entre as partes e à inutilidade do sistema como um todo caso algum componente não exista ou não funcione como o esperado. Não quero fazer um espantalho com este resumo relâmpago da primeira parte do livro, qualquer coisa neste sentido é deficiência da minha explicação. Ao contrário, ele parece bastante convincente, principalmente a um curioso como eu.

Na parte final do livro ele apresenta o design inteligente como único modo de se criar "complexidade irredutível". Neste ponto a argumentação se torna um queijo suíço, caindo na mesma falácia em que costumeiramente caem os criacionistas tradicionais. Vamos partir do ponto que, realmente, a evolução não explica os tais mecanismos bioquímicos de "complexidade irredutível". Partir disto para dizer que apenas um "projetista inteligente" poderia ter criado tais sistemas é um salto lógico absurdo. Ademais, se estamos falando de ciência, isto é como a explicação da origem da vida na Terra pela panspermia: apenas empurra a questão da origem da vida para mais longe. Quem ou o que é o projetista? Como surgiu? A partir do quê criou os sistemas de "complexidade irredutível"? O autor chega a sugerir que simplesmente esta questão seja afastada como insondável. O autor, em certo ponto, questiona a ausência de trabalhos científicos sobre bioquímica evolutiva; não vi no livro, porém, referências a papers sobre design inteligente.

A posição do autor - e do design inteligente de modo geral - é perigosa. É trazer noções religiosas para a ciência. E o design inteligente é a mais recente tentativa religiosa de combater o evolucionismo. E, em um cenário de aceitação disto pelo mainstream científico, como quer o autor, não tarda para certas coisas passarem a ser consideradas heresia, como, por exemplo, o próprio evolucionismo. Não houvesse quem separasse religião de ciência, pensaríamos até hoje que o universo gira ao redor da Terra.

Os esforços de religiosos de diversos matizes contras as buscas e descobertas científicas são inúteis, pois não há ponto de colisão perceptível entre o estudo do universo que nos cerca e as crenças religiosas. O heliocentrismo, a evolução de Darwin, o inconsciente de Freud, o fetichismo de Marx, tudo isto foi arrancando do homem a ilusão de controle e poder, mas em nada abalou a religião. Aliás, muitos evolucionistas, freudianos e marxistas são religiosos e não vêem problema algum nisto. Acreditem, há religiosos até entre os que crêem que a Terra se move ao redor do sol.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Os misteriosos caminhos do ECAD

Não sei o que o ECAD faz além de espezinhar e tungar promotores de eventos independentes. Tudo pelo sagrado direito intelectual do autor, e quem sou eu para discordar? Porém me vieram à mente há pouco dois cenários nos quais não sei o que acontece com os reais arrecadados a título de "direitos".

O primeiro cenário é simples e possui um exemplo real e concreto: eu sou vocalista(?) em uma banda chamada Clássicos Eternos onde tocamos apenas músicas próprias. Digamos que seja um show exclusivamente desta banda, com todas as músicas de autoria dos membros da banda. Por que diabos deveríamos pagar qualquer coisa ao ECAD? E se pagarmos o dinheiro voltará a nós? De que jeito se não somos membros de associações, ordens ou qualquer organização desnecessária do tipo?

O segundo cenário é o de uma banda cujo repertório é composto exclusivamente por covers do Japanische Kampfhörspiele, uma banda alemã semi-obscura de deathgrind. Como o dinheiro pago irá parar nas mãos dos membros do Jaka (o singelo apelido da banda)? Aliás, se parar em qualquer outro lugar - o que é, de longe, o mais provável -, isto seria tão-somente roubo. Este segundo cenário pode ser ainda mais complicado, que é o caso do repertório não ser de apenas uma banda obscura, mas de 20 bandas obscuras, de lugares tão longínquos quanto País de Gales, Austrália, Egito, Polônia, Israel, Venezuela e África do Sul. E aí, o ECAD sai procurando esse povo para distribuir os direitos que lhes cabem?

Assim, entre criadores pagando direitos intelectuais a si próprios (seria mais simples tirar o dinheiro do bolso esquerdo e colocar no bolso direito na presença do fiscal do ECAD, não?) e direitos pagos a artistas que nunca receberão coisa alguma, fica um pouco complicado acreditar no ECAD.

domingo, 25 de janeiro de 2009

eternidades da semana >> violins

Este ano tentarei escrever algo sobre todos os discos ouvidos e não apenas alguns como venho fazendo até agora. Os meus 2 ou 3 leitores percebem que venho tentando acertar um formato decente para esta coluna faz tempo, vamos ver se desta vez vai.

VIOLINS - Tribunal Surdo
(2007)



Deplorável. Se me pedirem uma única palavra para descrever este álbum, é exatamente esta. Tribunal Surdo expõe a imundície da alma humana sem nenhum tipo de disfarce ou metáfora. É direto, bruto, cru e violento. Um soco na boca do estômago, um chute no saco. Senão vejamos alguns trechos:

Delinquentes belos
se ninguém vir eu nunca peço perdão
se cada um é um assassino sem coração
esperando pra rir dentro de um camburão com sangue nas mãos

nós somos delinquentes belos em mundos possíveis
nós somos imperadores sérios em quartos de hospício
nós somos assassinos ébrios em frente aos seus filhos


O Anti-Herói (pt. 1)
tranque a porta que eu já ouvi barulho lá fora
pode ser que queiram roubar a minha moto nova
e queiram te violentar mas isso nem importa
é bem a cara desse mundo, você só deve olhar pela janela

e de repente eu pensei que puta morte bela se eu morrer
pra defender os bens que eu comprei a prazo e a prestação
e fingir que é teu meu coração, fingir morrer por nós
mas não, eu mato o ladrão e agora você me tem devoção
a mim, um lambedor de chão, que nem sei beber sem te meter a mão


Percebam que o narrador não é um observador da podridão: ele próprio faz parte da desgraceira, refletindo o que existe de toda esta merda dentro de cada um de nós. Mais um pouco:

Grupo de Extermínio de Aberrações
tá faltando soco inglês
o estoque de extintor não chega ao fim do mês
não tô pedindo aqui fortuna pra vocês
a gente quer limpar o mundo de uma vez

e eu garanto que seus filhos agradecem por crescer
sem ter que conviver com bichas e michês, pretos na TV,
discípulos de Che e putas com HIV


Esta última música chegou a ser alvo de denúncias de discriminação. Porém, é evidente a intenção da banda, principalmente quando se escuta o disco inteiro. Esta música, em particular, representa decerto boa parte dos sonhos inconfessáveis da classe média.

Interessante: a banda Terminal Guadalupe toca esta música em shows e substitui o segundo verso do trecho citado acima por "eu sou fiel ao papa bento xvi". Emblemático.

Missão de Paz na África
quando você me falou que ia se alistar
para lutar pelo bom eu tava tonto num bar
e eu não pensei que você já falava mesmo em lutar
você pensando em morrer e eu pensando em transar

seja bom se esse é o seu dom.

quando o navio partiu te levando pro mar
eu quis chorar de emoção
eu quis até te avisar que eu amei sua irmã no banco do meu passat
eu te desejo o melhor,
proteja o povo de lá e seja bom se esse é o seu dom


O Anti-Herói (parte 2)
e eu quero mais é te bater em paz
sem ouvir um choro, sem ouvir um 'Socorro'
(...)
e eu quero mais é te comer em paz
sem ouvir um gozo, sem ouvir um 'Socorro'


22
é que eu comprei uma 22 pra mim
e eu nem treinei, não sei como te acertei daqui
foi deus quem mirou por mim e eu sempre quis te ver assim
Você, besta, achou que eu sempre adorei te ver viva andando por aí

eu pensei em fugir levando o stilo mas me deparei com o cerco da polícia
então gritei "foi deus quem agir por mim"
ele sempre quis me usar assim
e vocês sabem bem que eu sempre adorei viver livre andando por aí


Ford
Desculpe o punhal.
É meu jeito de abordar



E tem mais do que isso. Quem ler estes trechos pode se lembrar da escatologia de um Rogério Skylab, mas na obra deste a selvageria vem em forma de escárnio, quase piada. No Tribunal Surdo não: é tudo sério, é tudo verdade, é o pequeno diabo que vive em cada mente. Ao terminar o disco, sente-se um gosto ruim na boca: isto é o ser humano. Não é apenas isto, mas também - e muitas vezes - é isto.

Em termos de som, é um disco sombrio, cheio de guitarras, ainda que a voz limpa e melodiosa de Beto Cupertino (também o autor das letras) destoe um pouco da sujeira geral. As melodias também são bastante interessantes.

Incrível como eu ainda não havia dado a devida atenção a esta banda, talvez pelos nomes de músicas esdrúxulos como Campeão Mundial de Bater Carteira, Vendedor de Rins e Padre Pedófilo (sim, um pré-julgamento tosco, mas fazer o quê?). Violins é uma das grandes bandas da nova geração da música brasileira.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

eternidades da semana >> rogê

ROGÊ - Brasil em Brasa
(2008)



Este é um disco estranho. Rogê é um sambista/pagodeiro/MPBzeiro/reggaeiro e sabe-se-lá-mais-o-quê carioca e é difícil imaginar o que pode sair disto. A constante no disco é o clima de animação que está sempre presente (mesmo com a barra-pesada dos dois covers). O disco abre exatamente neste clima, com a faixa-título, um samba festejando o calor - figurado e literal - do Brasil. Depois vem Numa Cidade que inicia com uma narração: "Numa cidade muito longe daqui/Que tem favelas que parecem com as favelas daqui/Que tem problemas que parecem os problemas daqui...". Quando eu ouvi me pareceu já conhecer isto de algum lugar e depois me lembrei: das cenas finais do filme Tropa de Elite. Depois descobri também que foi gravada por Marcelo D2 e outros. Da letra se extraem ótimos momentos como:
"Porque tem homem mau
Que vira homem bom
Quando ele compra o remédio
Quando ele banca o feijão
Quando ele tira pra dar
Quando ele dá proteção

Porque tem homem da lei
Que vira homem mau
Quando ele vem pra tirar
Quando ele caga no pau
Quando ele vem pra salvar
E sai matando geral"


A letra é realmente muito boa e narra um encontro e um diálogo entre um policial corrupto e um traficante que caem baleados e são levados para a mesma ambulância. Vai um trecho, embalado por um pagode daquele das antigas, com direito a cuíca e tudo mais:
"(bandido) você levou tanto dinheiro meu e agora tá querendo me prender
(policia) eu te avisei, você não se escondeu, deu no que deu e a gente tá aqui pedindo a Deus pro corpo resistir
(ambos) será que ele tá a fim de ouvir?
(policia) você tem tanta pistola, bazuca, fuzil e granada, me diz pra que tu tem tanta munição
(bandido) é que além de vocês nós ainda enfrenta o outro comando, outra facção que só tem alemão sanguinário, um bando de otário marrento querendo mandar. Por isso que eu tô bolado assim
(policia) eu também tô bolado sim, é que o judiciário tá todo comprado, o legislativo tá financiado e o pobre operário que joga seu voto no lixo, não sei se por raiva ou só por capricho coloca a culpa de tudo nos homens do camburão
(ambos) eles colocam a culpa de tudo na população
(bandido) mas se eu morrer vem outro em meu lugar
(polícia) e se eu morrer vão me condecorar
(bandido) e se eu morrer será que vão lembrar?
(polícia) e se eu morrer será que vão chorar?
(bandido) e se eu morrer...
(polícia) e se eu morrer...

(narrador) chega de ser subjugado, subnutrido, subtraído, sub-bandido de um submundo, subtenente de um sublugar, um subproduto de um subpaís, sub-infeliz


Só esta música já vale o disco. E dá o que pensar.

Outro bom destaque do disco é outra versão: Construção. O sujeito teve a manha de transformar a música em um reggae e, sim!, ficou muito bom, inclusive o crescendo que existe na música original. A inserção de Deus lhe Pague também ficou excelente, algo meio rap. É assim que se faz versões, inovando, acrescentando elementos, sem pagação de pau. Ponto pro Rogê.

O resto do disco é preenchido por sambinhas, coisas meio Nando Reis e até um samba-rock. Eu gostei bastante e recomendaria o disco se tivesse a mais vaga idéia de quem gostaria de um disco de samba tão incomum.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

eternidades da semana >> jards macalé

JARDS MACALÉ - Macao (2008)


Jards Macalé é um dos grandes-nomes-que-ninguém-conhece da MPB, também chamados "malditos". Neste disco, com violões até dizer chega, Macalé traz músicas antigas suas, como Farinha do Desprezo (famosa nos 80 nas mãos do Camisa de Vênus), Boneca Semiótica e The Archaic Lonely Star Blues. Tem ainda covers famosos como Ne Me Quitte Pas (sim, é aquela), Corcovado (Tom Jobim), Um Favor (Lupicínio Rodrigues), Só Assumo Só (Luiz Melodia) e Ronda (sim, é "à noite eu rondo a cidade...") e algumas inéditas.

É um disco estranho, e não se esperaria outra coisa de Jards Macalé e sua inconfundível voz ovo-na-boca (quem não conhece pasme: ele ganha fácil do Eddie Vedder). Os arranjos dos covers soam estranhos (só Ronda soa tradicional - até demais, diga-se), as músicas voz e violão soam estranhas (talvez justamente pela voz - também estranha). E a onipresença da estranheza é justamente o mais legal do disco.

O único porém do disco são as inéditas Engenho de Dentro, Se Você Quiser e Balada: não que sejam ruins (estão longe disto), mas esteticamente estão deslocadas do disco, são sambinhas elegantes em meio à depressividade minimalista de voz e violão do resto do disco.

domingo, 4 de janeiro de 2009

eternidades da semana >> etno

ETNO - Revolução Silenciosa (2008)


Na boa, "Etno" é um péssimo nome pra uma banda, parece mais um grupo de estudos antropológicos ou algo do tipo1. O som, porém, é um bem executado algo entre um nu-metal não muito pesado com vocais a la heavy metal e a mistureba feita pelo Rappa de Lado B Lado A, mas sem as eletroniquices. As letras são cantadas em português, espanhol, inglês e francês, o que por si só já me dá vontade de ouvir.

O disco começa muito bem, com Siglos, cantada meio espanhol, meio português. Meio metal, meio balada, o tipo de coisa que é um verdadeiro campo minado, mas a banda se sai incólume.

Destaques para A Mesma Dor, onde a banda emula O Rappa (e não cito isto como demérito, pelo contrário, até porque não soa como imitação), o metal inglês/português de Recall e a balada em francês/português Moi et le Monde.

Engraçado, acabo de perceber que eu sempre comento com mais detalhes as primeiras músicas. Primeiras músicas dizem muito sobre um disco, as interpreto como uma espécie de introdução do trabalho.

O vocalista tem alguns momentos Ídolos, mas nada que estrague o resultado. Por sinal, as melodias vocais são bem legais. As letras também são interessantes, defesa da ecologia, contra o racismo: de bandeiras o Etno vai muito bem, obrigado! Recomendo.

1 Tudo bem que eu já toquei em uma banda chamada Desencantamento do Mundo, mas convenhamos: é uma expressão com muito mais potencial poético que Etno, não?

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

O azar da Microsoft tem outro nome

Tosquice, incompetência e fazer software que mais parece um criadouro de bugs agora são chamados de azar. Também, o que esperar de um blog de fanboys da Micro$oft?

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

eternidades da semana >> el mato a un policia motorizado

EL MATÓ A UN POLICIA MOTORIZADO - Dia de los Muertos
2008


O nome da banda sugere um punk, vociferando contra tudo e todos. A banda argentina, porém, segue uma linha meio indie rock, lembrando em alguns momentos Radiohead e em outros Counting Crows. Não costumo ouvir muita coisa deste estilo e me interessei pela banda mais pelo nome do que por qualquer outra coisa. Afinal, pessoas que põem um nome desses em uma banda são, no mínimo, dignas de dois centavos de atenção.

Apesar de não fazer muito meu estilo, é um som legal de se ouvir, bem tocado, boas melodias, bons vocais, ainda que um tanto depressivo. Este disco - o quarto da banda - é o terceiro de uma trilogia sobre nascimento, vida e morte. O tom depressivo do disco pode vir do tema, mas como não conheço os outros discos da banda, não posso afirmar.

Destaques para Noche de los Muertos, Mi Próximo Movimiento e El Último Sereno. É um disco que gruda na mente: estou há dias com vozes portenhas cantarolando na cabeça. Minha esposa gostou bastante e acabou virando hit no rádio do carro.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

eternidades da semana >> Aline Muniz e Digital Groove

Trabalhando no recesso, escrevendo artigo. Isto é motivo pra ouvir um monte de música. A elas então.

Aproveito para remover as datas desta seção. Nunca foi semanal mesmo... :-)

ALINE MUNIZ - Da Pá Virada
2008


Soa o sinal vermelho: cantora de MPB. Pé atrás é pouco. O disco, contudo, abre muito bem. Básica é um sambinha muito legal, tem um ritmo irresistível, boa letra, arranjo muito interessante e melodia daquelas que grudam. Continua de maneira excelente com Cidade de Isopor, algo meio samba-rock. Fosse o disco inteiro como as duas primeiras músicas, eu estaria diante do primeiro disco de cantora de MPB que realmente gosto. Infelizmente não foi desta vez.

Em algumas músicas o álbum resvala um pouco em uma MPB mais péla-saco, tipo música de barzinho, Djavan e tal. Lá pro final - a penúltima - o disco se recupera e manda a excelente faixa-título Da Pá Virada, ótimas letra e ritmo. Mas o disco fecha voltando a pagar pau prestar tributo à MPB tradicional com versão de Carlos Lyra e Dolores Duran, O Negócio é Amar.

Não parei para análises mais profundas mas as letras me parecem boas, de modo geral.

É um álbum certinho e bonitinho demais para o meu gosto, mas é um bom disco, principalmente para quem gosta da MPB lado A.


DIGITAL GROOVE - Rabeca, Sanfona e Pife
2006


Eu nunca ouviria sem maiores recomendações o disco de uma banda chamada Digital Groove, mas o título do disco me chamou a atenção e resolvi encarar. O resultado é pra lá de esquisito e até agora não sei se gostei ou não. Independente de meu gosto musical, o disco tem seus méritos, pois soa bastante experimental e sempre é de se admirar quem ousa, principalmente fazendo misturas nem sempre bem vistas pelos puristas dos estilos.

Destaques para Jacira e Tubarão, nas quais a eletrônica caiu como uma luva, e Maria do Sertão e Na Boléia da Toyota, cantadas pelo grande Silvério Pessoa. Esta última, por sinal, uma versão tecno-alucinada da música, fecha muito bem o álbum.

domingo, 28 de dezembro de 2008

O meme da página 161

Sei que é notícia velha, mas eu ainda não conhecia: entre um link e outro, descobri isto aqui, um meme (se é que o termo é realmente adequado a estas correntes) que consiste em postar a quinta frase da página 161 do livro que estiver mais próximo (mas o troço tem que ser espontâneo, não vale procurar). Vai então a frase que deu aqui, o supra-sumo da irrelevância para a esmagadora maioria da humanidade, mas curiosamente uma importante informação que os "analistas" mundo afora ignoram solenemente:

"Finally, there are some reasons to go with a schema that is quite distinct from the object model, even when the database is being created specifically for your system."
Domain-Driven Design: Tackling Complexity in the Heart of Software, Eric Evans

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

eu fui >> encontro dos blogueiros no terapia's

Fui ontem ao encontro dos blogueiros no Terapia's. Ótimos papos (a indefectível dobradinha música e política) e muita cerveja (os outros, eu não bebi!). Creio que a melhor definição do "evento" foi a do Xacal: formação de quadrilha.

Relatos:
Urgente
Xacal
Roberto Moraes

Maus tratos à língua?

Postei algo no twitter outro dia que me deixou com a pulga atrás da orelha. Eu dizia que a língua portuguesa era maltratada, e percebi que falei isto apenas porque é o que todo mundo fala, o tipo de chavão do senso comum que repetimos sem pensar. Quer dizer, eu até pensava assim há algum tempo, até começar a ler uma coluna escrita por um linguista (acabou o trema, certo? pois já vai tarde!), chamado Marcos Bagno na Caros Amigos. Os textos publicados nesta coluna têm me feito mudar de opinião sobre o "falar errado". Descobri o site do sujeito e acabo de ler um interessantíssimo artigo. Vai um trechinho abaixo:

Com isso, os elaboradores das primeiras obras gramaticais do mundo ocidental definiram os rumos dos estudos lingüísticos que iam perdurar por mais de 2.000 anos:
  • desprezo pela língua falada e supervalorização da língua escrita literária;
  • estigmatização das variedades não-urbanas, não-letradas, usadas por falantes excluídos das camadas sociais de prestígio (exclusão que atingia todas as mulheres);
  • criação de um modelo idealizado de língua, distante da fala real contemporânea, baseado em opções já obsoletas (extraídas da literatura do passado) e transmitido apenas a um grupo restrito de falantes, os que tinham acesso à escolarização formal.
Com isso, passa a ser visto como erro todo e qualquer uso que escape desse modelo idealizado, toda e qualquer opção que esteja distante da linguagem literária consagrada; toda pronúncia, todo vocabulário e toda sintaxe que revelem a origem social desprestigiada do falante; tudo o que não conste dos usos das classes sociais letradas urbanas com acesso à escolarização formal e à cultura legitimada. Assim, fica excluída do "bem falar" a imensa maioria das pessoas - um tipo de exclusão que se perpetua em boa medida até a atualidade.


O texto na íntegra pode ser lido aqui.

Quem se interessar em ler o artigo inteiro pode ir direto pra lá e ignorar o restante do meu post. Quem estiver com preguiça - ou não se interessar pela coisa - segue abaixo uma explicação a respeito dos nossos 'bicicreta', 'prano', 'broco' e afins.

Ao contrário da Gramática Tradicional, que afirma que existe apenas uma forma certa de dizer as coisas, a Lingüística demonstra que todas as formas de expressão verbal têm organização gramatical, seguem regras e têm uma lógica lingüística perfeitamente demonstrável. Ou seja: nada na língua é por acaso.

Por exemplo: para os falantes urbanos escolarizados, pronúncias como broco, ingrês, chicrete, pranta etc. são feias, erradas e toscas. Essa avaliação se prende essencialmente ao fato dessas pronúncias caracterizarem falantes socialmente desprestigiados (analfabetos, pobres, moradores da zona rural etc.). No entanto, a transformação do L em R nos encontros consonantais ocorreu amplamente na história da língua portuguesa. Muitas palavras que hoje têm um R apresentavam um L na origem:
LatimPortuguês
blandubrando
clavucravo
dupludobro
flaccufraco
fluxufrouxo
obligareobrigar
placereprazer
plicarepregar
plumbuprumo

Assim, o suposto "erro" é na verdade perfeitamente explicável: trata-se do prosseguimento de uma tendência muito antiga no português (e em outras línguas) que os falantes rurais ou não-escolarizados levam adiante. Esse fenômeno tem até um nome técnico na lingüística histórica: rotacismo.
Esse é só um mínimo exemplo de que tudo o que é chamado de "erro" tem uma explicação científica, tem uma razão de ser, que pode ser de ordem fonética, semântica, sintática, pragmática, discursiva, cognitiva etc. Falar em "erro" na língua, dentro do ambiente pedagógico, é negar o valor das teorias científicas e da busca de explicações racionais para os fenômenos que nos cercam.

O exemplo apresentado acima (mudança de L para R em encontros consonantais) não deve levar ninguém a supor que esses fenômenos variáveis e mutantes só ocorrem na língua dos falantes rurais, sem escolarização, pobres etc. Eles também ocorrem na língua dos falantes "cultos", urbanos, letrados etc., muito embora esses mesmos falantes acreditem ser os legítimos representantes da língua "certa".

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Quem quer manter a ordem?

Estava há pouco lendo um texto bastante lúcido - como sempre - no Urgente vinculando os "insignificantes infortúnios urbanos" à desgraceira das catástrofes anuais naturalizadas. Não naturais, naturalizadas mesmo. Querem um exemplo? Hoje pela manhã vi em um programa na televisão - Balanço Geral, acho - o apresentador mostrar os alagamentos na região e terminar desejando força e coragem aos atingidos para superar a situação, como se esta fosse apenas uma cega e aleatória catástrofe natural. Seria explicável se fosse a primeira vez, mas as cheias se repetem periodicamente. Ou seja, ao invés de inesperadas as inundações são anunciadas. Estou longe de ser especialista neste tipo de coisa, mas não acredito que não haja meios técnicos para pelo menos minimizar o problema. Como agora, os diques irregulares em propriedades rurais foram apontados como catalisadores da cheia em Ururaí. Ora, é preciso esperar dar merda para explodir diques construídos irregularmente? Pois é, em lugar de contribuir para diminuir o problema, a conivência cuida de o agravar. E a reação da mídia oficial é simplesmente naturalizar a situação. Tem gente que acredita.

O curioso é que eu nem ia falar disto. O que me motivou a escrever foi um comentário no post do Urgente que linkei no início, de uma pessoa que pedia o estabelecimento da "ordem". De minha parte, eu dispenso. Com pedidos de "ordem" sempre vem junto muito mais coisa, e nada bom. Da última vez que pediram isso, o país foi sequestrado durante 21 anos. Eu gostaria simplesmente de respeito ao espaço público, cidadania, essas coisas, e creio que era disto que falava o post. Essa coisa de "ordem", é melhor que fique mesmo só na bandeira. E olhe lá.

domingo, 21 de dezembro de 2008

O que esperar da política de Campos em 2009?








































sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Primeira divisão

Eu sei que todo mundo já viu isto, mas não poderia deixar de participar de um movimento tão bonito.

Porque alguma alegria com isto a gente tem que ter...

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

O desabafo de um cidadão

Trecho de carta aberta do professor Sérgio Soares, morador de Ururaí.

Algumas perguntas me martelam e insistem em sangrar. Onde está o prefeito de nossa cidade que não se manifesta? Onde está o IBAMA que persegue os pescadores e seus pequenos peixes (nesses dias corretamente), pobres senhoras com seus papagaios e não enxerga a construção de um dique em área de escoadouro de água do rio Ururaí? Onde está o meu direito de cidadão que não pode vir a tona sem que eu vá à justiça para buscá-lo? ... a mesma justiça que garante ao fazendeiro uma maior valia para seus bois, indiferentes às nossas vidas que pouco a pouco vai sendo levada pelas águas, com toda sorte de destruição e doenças que podem aparecer a qualquer instante.

Na íntegra no Diário de Classe.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

eternidades da(s) semana(s) - 23 a 29/11/08

Tirando o atraso. Vamos nessa!

ROGÉRIO SKYLAB - Skylab VIII
2008


Eu nunca achei que isto fosse durar tanto: Rogério Skylab chega ao oitavo CD. Nono, se contarmos o primeiro disco, que não entrou na numeração.

O disco começa com Tira Tudo, um experimentalismo bem legal com violões. O início promete. Não há pressa alguma no disco: das 16 músicas, apenas quatro têm menos de 4 minutos. Algumas mais de sete.

O som continua, como já é costume, excelente. Músicas impecavelmente bem tocadas e bem gravadas, mantendo o padrão cultivado desde o já longínquo Skylab II. É possível perceber em todos os momentos a obsessão de Skylab pela repetição: sons, linhas melódicas, letras. Em mãos menos habilidosas, isto, somado a músicas grandes, poderia ser um tedioso desastre sob todos os aspectos, mas não. Aqui tudo parece calculado, e talvez seja mesmo.

As letras, por incrível que pareça, estão mais palatáveis para sensibilidades, digamos, mais amenas. Mas mesmo assim ainda dá pra se chocar com as letras do Skylab, como em Meu Diário.

Ou seja, pra quem já conhece o trabalho do Skylab, nada mudou. Pra quem não conhece, vale a pena ouvir um maldito moderno com o trabalho em construção. Porém, o melhor ponto de entrada para a obra de Skylab - e até hoje o melhor disco de sua carreira - é o Skylab II. Um megaclássico, que um dia terá neste blog sua devida resenha (resenha de verdade, na seção resenhas, não as impressões corridas desta coluna).

Os destaques vão para: Casas da Banha (uma regravação de seu primeiro disco), que os mais antigos certamente se lembrarão da musiquinha "vou dançar o cha-cha-cha/casas da banha/alegria vem de lá/casas da banha" e curtirão a visão skylabiana sobre o assunto; Eu Sou Cliente de Lá e Peida, Peida, respectivamente, uma balada e um rockão que trazem de volta o bom e velho Skylab; Preciso de Você Comigo, música lentinha na qual a voz de Skylab me lembrou muito outro maldito, Jards Macalé, e O Ar, inacreditavelmente leve, desencanada e divertida.

Não é o melhor trabalho do Skylab, nem mesmo um dos melhores, mas ainda assim é um disco bem legal.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

A história das coisas

Video muito interessante a respeito do papel do consumo como o alfa e o ômega da sociedade moderna e como isto torna a vida de todos uma porcaria e como isto está destruindo o planeta.

Extremamente didático, vale muito a pena perder 20 minutos da sua vida com ele.

A história das coisas

domingo, 23 de novembro de 2008

eternidades da(s) semana(s) >> 2 a 22/11/08

Escrever neste blog está mudando a forma como ouço música, pois tenho ouvido os discos mais devagar e de modo mais analítico. Por conseqüência, tenho ouvido menos coisas. Acho que a mudança é pra melhor.

Não foi desta vez que isto ficou semanal, mas um dia eu consigo. Vamulá!


PAULO MIKLOS - Paulo Miklos
(1994)



Nunca acreditei muito no Paulo Miklos, e não achava que seus discos solo seriam grande coisa. Daí que foi uma ótima surpresa o seu primeiro disco solo, lançado no distante ano de 1994, porém somente ouvido por mim esta semana. Está longe de ser a revolução da música brasileira, mas é um disquinho bem legal!

De cara, se sobressai o excelente trampo de violões. O som soa algo como um neo-MPB ou um rock nacional mais sofisticado. Quando se consegue isto sem burocratizar a coisa toda - como Miklos conseguiu - é muito bom! Destaques para as músicas Ele vai se vender ("ele vai se vender/e por isso ele não vale nada" é um achado!) e Aos 500 Surfistas Ferroviários Mortos. Apesar de eu não ter prestado toda essa atenção nas letras, elas parecem ser boas, pelo menos têm um bom ritmo.

O único porém é que algumas músicas soam um tanto tediosas, especialmente se você ouve o disco várias vezes, mas nada que tire o mérito do disco como um todo.

Mais um disco legal entre os trabalhos "por fora" dos integrantes dos Titãs. Quem não conhece não sabe o que perde.


NÃO RELIGIÃO - A Verdadeira História de um Brasileiro
(1987)



Eu nunca havia ouvido coisa alguma do Não Religião, mas achava que era algo na linha Plebe Rude. Pois foi uma grande surpresa começar a ouvir este disco e ver um punk/hardcore imundo e mal gravado, com todos os cacoetes do gênero.

Confesso que não tenho muito a dizer sobre este disco, pois tenho tido bastante preguiça de ouvir coisas mal gravadas. Isto não me trouxe um grande desapontamento, pois várias músicas deste disco foram regravadas em melhores condições nos discos posteriores.

As letras são bem cruas e diretas, bem punk mesmo, sem qualquer sofisticação.

Destaques para o vocal parecido com Marcelo Nova na cover de Sérgio Reis (!!) Coração de Papel, a boa levada de Brasil e a porradaria de Atestado de Pobreza.


NÃO RELIGIÃO - Pegaram Jesus pra Cristo
(1991)



Quatro anos depois, o Não Religião aparece bem mais polido. As guitarras distorcidas continuam lá, mas o som é mais cadenciado e a gravação muito melhor. Porém, não gostei de cara da primeira música, Estado de Sítio. Mas o disco vai melhorando depois.

Apesar do som mais trabalhado, as letras continuam na mesma crueza do primeiro disco, o que às vezes as faz soar deslocadas. E as letras que se tentam menos punks não se saem melhor.

Destaques para as músicas Jesus Crucificado no Poste da Light, Te Dói, Qualquer Tipo de Religião e Mulher no Caos no País do Carnaval.

Esta última seria apenas um amontoado de grosserias machistas ("você quer mulher pra quê? só pra comer/ você quer mulher na cama? diz que a ama"), porém o título aludindo a mulher no país do carnaval é brutalmente irônico.


NÃO RELIGIÃO - Ninguém Me Escuta
1994



Em Ninguém Me Escuta a banda aparece ainda mais cadenciada. As letras, porém, ainda são tão toscas quanto as do primeiro disco.

O destaque absoluto vai para a excelente versão de A Face de Deus, megaclássico dos Inocentes.

Outras músicas legais são: Pecado, cuja letra lista de modo curioso as coisas que "é pecado!!!"; Tra-La-Lá, cujo início me lembrou muito Garotos Podres; Ninguém Me Escuta, que lembra um pouco CPM-22 e coisas do tipo mas ainda assim é legal; A Sangue Frio, um metal, sobre o massacre do Carandiru.

Dos três é o que considero o melhor disco da banda, pelo menos foi o único que ouvi várias vezes.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

lembranças do terapia's

Não conheço muitos botecos, de modo que o tema da Rede Blog de hoje é um tanto estranho para mim. Porém, freqüentei por um bom tempo o Terapia's, quando era ali perto do Liceu, e tenho várias boas lembranças de lá.

Lá passei inúmeras horas e e bebi ainda mais inúmeras cervejas. Participei ali de várias reuniões e entrevistas do Campos Underground (saudoso site que mapeava o underground campista), formei bandas, fiz (ou fortaleci) amigos, tive excelentes papos e lá cheguei um dia solteiro e saí com uma namorada, que até hoje, quase 10 anos depois, ainda divide comigo as alegrias e tristezas da vida.

E eu, ao escrever este curto post, me surpreendo por ter tantas boas lembranças - que não vinculava ao nosso glorioso bar - do Terapia's. Vida longa!

Em tempo: sim, trapaceei o dia pra ficar bem na fita. Agora são precisamente 23h25min do dia 23 de novembro de 2008. Mas escrevi o primeiro parágrafo no dia certo, juro!

domingo, 2 de novembro de 2008

Cidadania pede passagem

Na questão dos contratados da prefeitura de Campos, vale linkar reflexões de Cleber Tinoco, sob o filtro de Vitor Menezes.

E o pior é alguém ter que dizer algo que deveria ser óbvio, e a ainda chocar alguns.

sábado, 1 de novembro de 2008

Pelegando na rede blog

Só agora me dei conta de que furei com a Rede Blog de outubro.