domingo, 21 de setembro de 2008

rede blog >> os novos ricos de campos: que classe é essa?

A existência de interesse das pessoas pelo termo "novo rico" me parece algo curioso. Digo isto porque o termo sempre me pareceu ser utilizado por socialites e pessoas do gênero, para diferenciar aqueles detentores de "old money" do populacho emergente, com seu comportamento não condizente com a miríade de regras comportamentais da velha elite. Daí os cursos de etiqueta e bobagens afins para que os novos ricos adquiram pedigree, tornando-se aceitos em seu novo meio social, até que venha a próxima reviravolta sócio-econômica e novos grupos ascendam. Assim, como sempre associei - talvez equivocadamente - a expressão com jargão de colunismo social, considero um assunto tão empolgante quanto um tratamento de canal.

As implicações econômicas e sociais da ascensão de novos grupos são o que costuma ser o mais interessante na história toda (e por isso virou tema da rede blog). E é curioso em nosso contexto local que a expressão tenha adquirido notoriedade fora do grande vazio das coluninhas de sempre devido à chuva de dinheiro dos royalties, que pouco ou nada de bom tem trazido à cidade, mas tem aumentado bastante a quantidade de gigantescos trambolhos automotivos nas engarrafadas ruas do centro, dos quais as Hilux são porta-estandartes.

Como novato sempre dá vacilo, cometi o erro de ler antes alguns textos sobre o assunto publicados por outros blogs na rede blog e, se estender o assunto além do quase-nada que foi escrito aqui, vou simplesmente reverberar o que o pessoal escreveu. Ou seja, minha primeira participação na rede vai ser esse meia-boca aqui mesmo, mas textos muito melhores foram e talvez - apesar da hora - ainda serão escritos hoje na rede blog. Fico devendo algo melhor arrumado para o tema de outubro. Até lá!

[A rede blog é um agrupamento heterogêneo de blogs goitacás que, periodicamente, versam sobre um tema comum.]

sábado, 20 de setembro de 2008

O fanatismo não morreu

Já estou há mais de uma semana sem blogar, mas ninguém se preocupe que o blog não morre (pelo menos não agora!). É que ando muito ocupado com isto, que acabou vazando das horas não vagas para as vagas. Pode não parecer para a maioria das pessoas, mas escrever software é muito legal! Mas espero voltar a aparecer regularmente a partir de agora.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

eternidades da semana >> 01 a 07/09/2008

Com atraso (tempo, tempo, mano véio, falta um tanto ainda, eu sei, pra você correr macio), aí vão as eternidades da semana passada.

ACADEMIA DA BERLINDA - Academia da Berlinda
2007

Academia da Berlinda é um coletivo de músicos oriundos de várias bandas conhecidas do Recife como mundo livre s/a, Nação Zumbi e Eddie, tocando uma saudável mistureba de rumbas, carimbós e outras coisas que me parecem familiares mas não fui capaz de identificar. O som soou um tanto pop para ouvidos acostumados com Siba e a Fuloresta e Lia de Itamaracá ou mesmo coisas mais "modernas" como Silvério Pessoa e Mestre Ambrósio.

Os destaques do disco vão para Academia da Berlinda, uma espécie de rumba (ou pelo menos eu acho que é isso!) com um ritmo contagiante, e Envernizado, com boa participação de Jorge du Peixe (Nação Zumbi) nos vocais. Outras músicas têm um leve jeito de axé music, mas são quase todas bem legais.

O disco contou com participações de figuraças da música pernambucana moderna como Zero Quatro e China, além do já citado vocalista da Nação Zumbi. Não é a nova revolução pernambucana, mas é um disco divertido, praiano. Pena que o descobri em pleno inverno.



WALTER FRANCO - Ou Não
1973

Comentar um disco desses é uma tarefa ingrata. Ou Não, disco de estréia de Walter Franco, é um disco inexplicável. Artista considerado "vanguardista", o disco é experimental do começo ao fim. Seja com o MPBismo doentio de Mixturação, a forrozeira torta de Xaxados e Perdidos, os absurdos vocais de Pátio dos Loucos ou o radicalismo experimental de Flexa, é um disco completamente atípico. Um fato interessante é que Água e Sal e No Fundo do Poço lembram Arnaldo Antunes, tanto nos vocais quanto na letras meios concretistas.

Enfim, é um ótimo e imperdível disco, mas somente indicado para mentes abertas e para quem quer conhecer um pouco mais do lado underground da MPB. Ou não.

mais uma vitória para a estupidez e o atraso

Hoje, 09/09/2008, o blog Som Barato, que compartilhava música (atividade que chamam de pirataria), foi removido pela Google. Vitória para os parasitas da música (leia-se, gravadoras), derrota para os artistas - em sua maioria, interessados na divulgação de seu trabalho e conseqüente aumento no ganho com shows - e para apreciadores de música brasileira. E tudo isso na vã esperança de frear a troca de informações entre as pessoas.

A estupidez fala mais alto novamente.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Manifesto para um selo natimorto

Em um mundo com internet, redes P2P – eDonkey, eMule, Kazaa, Soulseek – não há mais lugar para o velho e carcomido modelo das gravadoras convencionais, baseadas na dura e fria aplicação do copyright. Estas foram, sem sombra de dúvida, derrotadas pela história. A evolução tecnológica, gerada e fomentada pelo sistema capitalista para exponenciação de seus lucros, acabou por colocar à beira do abismo um setor inteiro do sistema: a indústria fonográfica.

Na prática, o que impede que alguém simplesmente baixe de programas ou redes de compartilhamento de arquivos as MP3 daquele CD novo que é anunciado na televisão? Desde que se tenha acesso à internet – e qualquer um que possa se dar ao luxo de pagar 30 ou 40 reais em um CD tem –, a resposta é um tiro seco: nada.

Como que para reforçar esta tendência, estas mesmas tecnologias hoje permitem que se possa gravar um álbum no computador de casa, com uma qualidade que pouco deixa a dever a gravações feitas em estúdios. A perda de qualidade é perceptível se comparada às gravações milionárias em estúdios superequipados? Por enquanto, sim. Mas nada impede que, em breve, tudo venha a se equiparar. E mesmo assim, esta perda de qualidade técnica de gravação é um preço pequeníssimo a pagar pela plena liberdade artística e criativa, algo que é impossível sob o investimento – e a evidente espera de retorno fácil – de empresas de entretenimento. E entretenimento, amigos, não é sinônimo de arte. E no mais das vezes passa bem longe disto.

A indústria do entretenimento – emissoras de televisão, rádios comerciais, produtoras, estúdios cinematográficos, estúdios de animação, gravadoras – tem a tendência, como indústria capitalista que não tem como deixar de ser, de buscar lidar com povos, espaços e gostos o mais homogêneos possível, sem especificidades ou diferenciações, sujeitos a ser enquadrados em estratégias padronizadas de produção, consumo e marketing. Assim, as grandes gravadoras buscam sempre o grande sucesso, que venda para o maior número possível de pessoas. A estas empresas não interessa a inovação, mas somente a repetição exaustiva de velhas fórmulas e a criação de pacotões musicais, como foram o axé music, sertanejo, pagode e o forró. E mesmo estilos tradicionais, como os três últimos, ao entrarem no jogo das gravadoras, são pasteurizados, perdem suas especificidades e passam por uma padronização de roupagem pop.

Neste contexto surge a Tímpano Discos. Não somos uma gravadora, no sentido podre e decadente que as caracterizamos. Gostamos de nos definir como uma antigravadora, um anti-selo, no sentido em que nos interessamos por aquilo que esta grande mídia não se interessa, por tudo aquilo que não se enquadra em suas estratégias mercadológicas artisticamente nulas. Nos interessamos pela música, seja de que estilo for, desde que feita com alma e sem preocupações comercialóides. O verdadeiro artista, para nós, produz simplesmente aquilo que deseja expressar, sem concessões. O verdadeiro artista não aceita pressões ou imposições de qualquer tipo.

Levantamos a bandeira da gravação caseira, low-tech. Acreditamos que talento e criatividade independem de sofisticação tecnológica. Apostamos num modelo de produção e distribuição independentes. Sabemos que as dificuldades são imensas. Pagamos o preço por nossas posições, que a muitos parecerão radicais. E este preço é, invariavelmente, estar do lado oposto de onde correm dinheiro, holofotes e favorecimentos políticos. Estamos certos, porém, de que o tempo mostrará que não estamos errados.

Artistas associados a nós optarão pelo copyleft, que libera a cópia e a distribuição, mas que obriga a citação da autoria. Alguns poderão ir além e abrir os "fontes" da sua obra, possibilitando até a modificação e redistribuição por terceiros. Uns poucos, talvez, continuarão no modelo tradicional de copyright. Mas mesmo estes sabem ser impossível a distopia que reside no coração das gravadoras, que é proibir toda e qualquer cópia não autorizada de seu material.

Sim, nossos CDs serão vendidos. Afinal, todos têm que comer e novas gravações têm que se realizar. Porém, a idéia é praticar o menor valor possível, bem próximo do custo. Parcerias com gráficas, com fornecedores de CDs podem ajudar nesta tarefa. E, para as bandas adeptas do copyleft, quem não quiser comprar o CD, vá à internet e baixe. Algumas disponibilizarão, inclusive, a arte do CD para download. Quem comprar nossos CDs saberá que está fazendo crescer e se desenvolver uma iniciativa que busca saídas para o atual massacre do "mais do mesmo" musical a que somos vítimas. Quem adquire CDs de grandes gravadoras estará financiando um sistema opressor, anticriativo e antiartístico, que destruiu o Napster, o AudioGalaxy e que busca cercear, a qualquer custo, a liberdade em nome do lucro. Nos consideramos co-irmãos das iniciativas de selos independentes por todo o Brasil e pelo mundo, que buscam o mesmo que nós: diversidade, liberdade, arte.

Enfim, esta é a proposta da Tímpano Discos. É isto o que pensamos da música e do mundo. Apóie essa iniciativa perguntando, opinando, sugerindo, comprando os CDs, baixando as músicas, indo aos shows. Venha pensar e fazer música com a gente!

Escrito provavelmente por volta de 2003. O selo - já diz o título do post - não chegou a vingar. Porém, boa parte das premissas do manifesto vêm sendo realizadas aqui e ali e cada vez mais pessoas e artistas percebem que existe vida inteligente além do óbvio.