quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

eternidades da semana >> el mato a un policia motorizado

EL MATÓ A UN POLICIA MOTORIZADO - Dia de los Muertos
2008


O nome da banda sugere um punk, vociferando contra tudo e todos. A banda argentina, porém, segue uma linha meio indie rock, lembrando em alguns momentos Radiohead e em outros Counting Crows. Não costumo ouvir muita coisa deste estilo e me interessei pela banda mais pelo nome do que por qualquer outra coisa. Afinal, pessoas que põem um nome desses em uma banda são, no mínimo, dignas de dois centavos de atenção.

Apesar de não fazer muito meu estilo, é um som legal de se ouvir, bem tocado, boas melodias, bons vocais, ainda que um tanto depressivo. Este disco - o quarto da banda - é o terceiro de uma trilogia sobre nascimento, vida e morte. O tom depressivo do disco pode vir do tema, mas como não conheço os outros discos da banda, não posso afirmar.

Destaques para Noche de los Muertos, Mi Próximo Movimiento e El Último Sereno. É um disco que gruda na mente: estou há dias com vozes portenhas cantarolando na cabeça. Minha esposa gostou bastante e acabou virando hit no rádio do carro.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

eternidades da semana >> Aline Muniz e Digital Groove

Trabalhando no recesso, escrevendo artigo. Isto é motivo pra ouvir um monte de música. A elas então.

Aproveito para remover as datas desta seção. Nunca foi semanal mesmo... :-)

ALINE MUNIZ - Da Pá Virada
2008


Soa o sinal vermelho: cantora de MPB. Pé atrás é pouco. O disco, contudo, abre muito bem. Básica é um sambinha muito legal, tem um ritmo irresistível, boa letra, arranjo muito interessante e melodia daquelas que grudam. Continua de maneira excelente com Cidade de Isopor, algo meio samba-rock. Fosse o disco inteiro como as duas primeiras músicas, eu estaria diante do primeiro disco de cantora de MPB que realmente gosto. Infelizmente não foi desta vez.

Em algumas músicas o álbum resvala um pouco em uma MPB mais péla-saco, tipo música de barzinho, Djavan e tal. Lá pro final - a penúltima - o disco se recupera e manda a excelente faixa-título Da Pá Virada, ótimas letra e ritmo. Mas o disco fecha voltando a pagar pau prestar tributo à MPB tradicional com versão de Carlos Lyra e Dolores Duran, O Negócio é Amar.

Não parei para análises mais profundas mas as letras me parecem boas, de modo geral.

É um álbum certinho e bonitinho demais para o meu gosto, mas é um bom disco, principalmente para quem gosta da MPB lado A.


DIGITAL GROOVE - Rabeca, Sanfona e Pife
2006


Eu nunca ouviria sem maiores recomendações o disco de uma banda chamada Digital Groove, mas o título do disco me chamou a atenção e resolvi encarar. O resultado é pra lá de esquisito e até agora não sei se gostei ou não. Independente de meu gosto musical, o disco tem seus méritos, pois soa bastante experimental e sempre é de se admirar quem ousa, principalmente fazendo misturas nem sempre bem vistas pelos puristas dos estilos.

Destaques para Jacira e Tubarão, nas quais a eletrônica caiu como uma luva, e Maria do Sertão e Na Boléia da Toyota, cantadas pelo grande Silvério Pessoa. Esta última, por sinal, uma versão tecno-alucinada da música, fecha muito bem o álbum.

domingo, 28 de dezembro de 2008

O meme da página 161

Sei que é notícia velha, mas eu ainda não conhecia: entre um link e outro, descobri isto aqui, um meme (se é que o termo é realmente adequado a estas correntes) que consiste em postar a quinta frase da página 161 do livro que estiver mais próximo (mas o troço tem que ser espontâneo, não vale procurar). Vai então a frase que deu aqui, o supra-sumo da irrelevância para a esmagadora maioria da humanidade, mas curiosamente uma importante informação que os "analistas" mundo afora ignoram solenemente:

"Finally, there are some reasons to go with a schema that is quite distinct from the object model, even when the database is being created specifically for your system."
Domain-Driven Design: Tackling Complexity in the Heart of Software, Eric Evans

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

eu fui >> encontro dos blogueiros no terapia's

Fui ontem ao encontro dos blogueiros no Terapia's. Ótimos papos (a indefectível dobradinha música e política) e muita cerveja (os outros, eu não bebi!). Creio que a melhor definição do "evento" foi a do Xacal: formação de quadrilha.

Relatos:
Urgente
Xacal
Roberto Moraes

Maus tratos à língua?

Postei algo no twitter outro dia que me deixou com a pulga atrás da orelha. Eu dizia que a língua portuguesa era maltratada, e percebi que falei isto apenas porque é o que todo mundo fala, o tipo de chavão do senso comum que repetimos sem pensar. Quer dizer, eu até pensava assim há algum tempo, até começar a ler uma coluna escrita por um linguista (acabou o trema, certo? pois já vai tarde!), chamado Marcos Bagno na Caros Amigos. Os textos publicados nesta coluna têm me feito mudar de opinião sobre o "falar errado". Descobri o site do sujeito e acabo de ler um interessantíssimo artigo. Vai um trechinho abaixo:

Com isso, os elaboradores das primeiras obras gramaticais do mundo ocidental definiram os rumos dos estudos lingüísticos que iam perdurar por mais de 2.000 anos:
  • desprezo pela língua falada e supervalorização da língua escrita literária;
  • estigmatização das variedades não-urbanas, não-letradas, usadas por falantes excluídos das camadas sociais de prestígio (exclusão que atingia todas as mulheres);
  • criação de um modelo idealizado de língua, distante da fala real contemporânea, baseado em opções já obsoletas (extraídas da literatura do passado) e transmitido apenas a um grupo restrito de falantes, os que tinham acesso à escolarização formal.
Com isso, passa a ser visto como erro todo e qualquer uso que escape desse modelo idealizado, toda e qualquer opção que esteja distante da linguagem literária consagrada; toda pronúncia, todo vocabulário e toda sintaxe que revelem a origem social desprestigiada do falante; tudo o que não conste dos usos das classes sociais letradas urbanas com acesso à escolarização formal e à cultura legitimada. Assim, fica excluída do "bem falar" a imensa maioria das pessoas - um tipo de exclusão que se perpetua em boa medida até a atualidade.


O texto na íntegra pode ser lido aqui.

Quem se interessar em ler o artigo inteiro pode ir direto pra lá e ignorar o restante do meu post. Quem estiver com preguiça - ou não se interessar pela coisa - segue abaixo uma explicação a respeito dos nossos 'bicicreta', 'prano', 'broco' e afins.

Ao contrário da Gramática Tradicional, que afirma que existe apenas uma forma certa de dizer as coisas, a Lingüística demonstra que todas as formas de expressão verbal têm organização gramatical, seguem regras e têm uma lógica lingüística perfeitamente demonstrável. Ou seja: nada na língua é por acaso.

Por exemplo: para os falantes urbanos escolarizados, pronúncias como broco, ingrês, chicrete, pranta etc. são feias, erradas e toscas. Essa avaliação se prende essencialmente ao fato dessas pronúncias caracterizarem falantes socialmente desprestigiados (analfabetos, pobres, moradores da zona rural etc.). No entanto, a transformação do L em R nos encontros consonantais ocorreu amplamente na história da língua portuguesa. Muitas palavras que hoje têm um R apresentavam um L na origem:
LatimPortuguês
blandubrando
clavucravo
dupludobro
flaccufraco
fluxufrouxo
obligareobrigar
placereprazer
plicarepregar
plumbuprumo

Assim, o suposto "erro" é na verdade perfeitamente explicável: trata-se do prosseguimento de uma tendência muito antiga no português (e em outras línguas) que os falantes rurais ou não-escolarizados levam adiante. Esse fenômeno tem até um nome técnico na lingüística histórica: rotacismo.
Esse é só um mínimo exemplo de que tudo o que é chamado de "erro" tem uma explicação científica, tem uma razão de ser, que pode ser de ordem fonética, semântica, sintática, pragmática, discursiva, cognitiva etc. Falar em "erro" na língua, dentro do ambiente pedagógico, é negar o valor das teorias científicas e da busca de explicações racionais para os fenômenos que nos cercam.

O exemplo apresentado acima (mudança de L para R em encontros consonantais) não deve levar ninguém a supor que esses fenômenos variáveis e mutantes só ocorrem na língua dos falantes rurais, sem escolarização, pobres etc. Eles também ocorrem na língua dos falantes "cultos", urbanos, letrados etc., muito embora esses mesmos falantes acreditem ser os legítimos representantes da língua "certa".

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Quem quer manter a ordem?

Estava há pouco lendo um texto bastante lúcido - como sempre - no Urgente vinculando os "insignificantes infortúnios urbanos" à desgraceira das catástrofes anuais naturalizadas. Não naturais, naturalizadas mesmo. Querem um exemplo? Hoje pela manhã vi em um programa na televisão - Balanço Geral, acho - o apresentador mostrar os alagamentos na região e terminar desejando força e coragem aos atingidos para superar a situação, como se esta fosse apenas uma cega e aleatória catástrofe natural. Seria explicável se fosse a primeira vez, mas as cheias se repetem periodicamente. Ou seja, ao invés de inesperadas as inundações são anunciadas. Estou longe de ser especialista neste tipo de coisa, mas não acredito que não haja meios técnicos para pelo menos minimizar o problema. Como agora, os diques irregulares em propriedades rurais foram apontados como catalisadores da cheia em Ururaí. Ora, é preciso esperar dar merda para explodir diques construídos irregularmente? Pois é, em lugar de contribuir para diminuir o problema, a conivência cuida de o agravar. E a reação da mídia oficial é simplesmente naturalizar a situação. Tem gente que acredita.

O curioso é que eu nem ia falar disto. O que me motivou a escrever foi um comentário no post do Urgente que linkei no início, de uma pessoa que pedia o estabelecimento da "ordem". De minha parte, eu dispenso. Com pedidos de "ordem" sempre vem junto muito mais coisa, e nada bom. Da última vez que pediram isso, o país foi sequestrado durante 21 anos. Eu gostaria simplesmente de respeito ao espaço público, cidadania, essas coisas, e creio que era disto que falava o post. Essa coisa de "ordem", é melhor que fique mesmo só na bandeira. E olhe lá.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Primeira divisão

Eu sei que todo mundo já viu isto, mas não poderia deixar de participar de um movimento tão bonito.

Porque alguma alegria com isto a gente tem que ter...

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

O desabafo de um cidadão

Trecho de carta aberta do professor Sérgio Soares, morador de Ururaí.

Algumas perguntas me martelam e insistem em sangrar. Onde está o prefeito de nossa cidade que não se manifesta? Onde está o IBAMA que persegue os pescadores e seus pequenos peixes (nesses dias corretamente), pobres senhoras com seus papagaios e não enxerga a construção de um dique em área de escoadouro de água do rio Ururaí? Onde está o meu direito de cidadão que não pode vir a tona sem que eu vá à justiça para buscá-lo? ... a mesma justiça que garante ao fazendeiro uma maior valia para seus bois, indiferentes às nossas vidas que pouco a pouco vai sendo levada pelas águas, com toda sorte de destruição e doenças que podem aparecer a qualquer instante.

Na íntegra no Diário de Classe.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

eternidades da(s) semana(s) - 23 a 29/11/08

Tirando o atraso. Vamos nessa!

ROGÉRIO SKYLAB - Skylab VIII
2008


Eu nunca achei que isto fosse durar tanto: Rogério Skylab chega ao oitavo CD. Nono, se contarmos o primeiro disco, que não entrou na numeração.

O disco começa com Tira Tudo, um experimentalismo bem legal com violões. O início promete. Não há pressa alguma no disco: das 16 músicas, apenas quatro têm menos de 4 minutos. Algumas mais de sete.

O som continua, como já é costume, excelente. Músicas impecavelmente bem tocadas e bem gravadas, mantendo o padrão cultivado desde o já longínquo Skylab II. É possível perceber em todos os momentos a obsessão de Skylab pela repetição: sons, linhas melódicas, letras. Em mãos menos habilidosas, isto, somado a músicas grandes, poderia ser um tedioso desastre sob todos os aspectos, mas não. Aqui tudo parece calculado, e talvez seja mesmo.

As letras, por incrível que pareça, estão mais palatáveis para sensibilidades, digamos, mais amenas. Mas mesmo assim ainda dá pra se chocar com as letras do Skylab, como em Meu Diário.

Ou seja, pra quem já conhece o trabalho do Skylab, nada mudou. Pra quem não conhece, vale a pena ouvir um maldito moderno com o trabalho em construção. Porém, o melhor ponto de entrada para a obra de Skylab - e até hoje o melhor disco de sua carreira - é o Skylab II. Um megaclássico, que um dia terá neste blog sua devida resenha (resenha de verdade, na seção resenhas, não as impressões corridas desta coluna).

Os destaques vão para: Casas da Banha (uma regravação de seu primeiro disco), que os mais antigos certamente se lembrarão da musiquinha "vou dançar o cha-cha-cha/casas da banha/alegria vem de lá/casas da banha" e curtirão a visão skylabiana sobre o assunto; Eu Sou Cliente de Lá e Peida, Peida, respectivamente, uma balada e um rockão que trazem de volta o bom e velho Skylab; Preciso de Você Comigo, música lentinha na qual a voz de Skylab me lembrou muito outro maldito, Jards Macalé, e O Ar, inacreditavelmente leve, desencanada e divertida.

Não é o melhor trabalho do Skylab, nem mesmo um dos melhores, mas ainda assim é um disco bem legal.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

A história das coisas

Video muito interessante a respeito do papel do consumo como o alfa e o ômega da sociedade moderna e como isto torna a vida de todos uma porcaria e como isto está destruindo o planeta.

Extremamente didático, vale muito a pena perder 20 minutos da sua vida com ele.

A história das coisas