quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Censura aos blogs em Campos

A esta altura todos já devem saber da tentativa do jornal (!?) Folha da Manhã (sem link, boicote!) de intimidação por via jurídica do blog do professor Roberto Moraes. Não é a primeira vez que o jornal (!?) utiliza este tipo de expediente e é uma vergonha que jornalistas (ou donos de jornais) façam este tipo de coisa, inclusive requerendo censura prévia.

Um alento, entretanto: a Rede Blog rapidamente se uniu no repúdio a este absurdo. O fato dos blogs estarem sendo perseguidos é uma demonstração de que realmente têm importância política na cidade ao quebrar o monopólio da informação. O admirável mundo velho do eu-falo-e-vocês-escutam acabou e um ato destes só pode ser entendido como desespero, além de fortalecer os blogs e mostrar que este é o caminho certo. Como disseram em um comentário por aí, sofrer certas coisas só engrandece o currículo do cidadão.

Aproveito para linkar o Urgente sobre o assunto. No mesmo blog há uma lista de links para manifestações na blogosfera.

dc comics no lance

SUPERMAN 64 e 65
BATMAN 64 e 65
LIGA DA JUSTIÇA 64 e 65
NOVOS TITÃS 45 e 46
SUPERMAN & BATMAN 33 e 34
UNIVERSO DC 10 e 11
OS MELHORES DO MUNDO 9 e 10

Tirando o atraso dos quadrinhos DC. Coleciono quase tudo da DC que sai no Brasil (não compro os especiais de coisas antigas, ler super-heróis de antes dos anos 80 é pura autoflagelação) mas não tenho lido desde meados do ano passado, quando perdi alguns números. Resultado: acabo de ler as edições de março e abril de 2008.

Vale destacar:
1) O início da reformulação do Superman por Geoff Johns e Richard Donner (sim, o diretor dos filmes clássicos do Superman). O que eles têm feito é, na minha opinião de fã chato, destruir a melhor versão de Superman, feita pelo John Byrne nos anos 80 e que perdurava até então, e substituir por conceitos toscos pré-Crise nas Infinitas Terras como Clark Kent desastrado e bobão, kriptonitas coloridas e com efeitos variados e a pior de todas as mancadas: Lex Luthor como um cientista louco e foragido. A melhor sacada do Byrne foi caracterizar Lex Luthor como um megaempresário, um verdadeiro filho da puta, um vilão real que via no Superman um empecilho a seus negócios. Nada de entrar em robôs gigantes para destruir Metrópolis (o que, por sinal, ele desgraçadamente já fez nesta nova versão). O ápice desta abordagem foi já nos anos 2000 e alguma coisa, com Luthor eleito presidente dos Estados Unidos. Infelizmente a DC não soube aproveitar isto. Mas vamos ver no que dá. Pode ser que eles consigam dar um bom enfoque a este revival.

2) A nova Liga da Justiça de Brad Meltzer parece ser legal. Depois do excelente arco centrado no Tornado Vermelho, a Liga se reagrupa. Só não gostei nem um pouco de eles ressucitarem a Sala da Justiça, igual a do desenho dos Superamigos. Será que é tão difícil perceber que o mundo anda para frente e parar de ficar catando migalhas do que foi feito no passado. Já não bastou terem cagado a origem da Liga pós-Crise e recolocarem a "trindade" como fundadora? Assim como no item 1, porém espera-se que consigam extrair algo legal disto.

3) O Coringa dos quadrinhos sofreu, nas competentes mãos de Grant Morrison, uma guinada mental e se aproxima da versão de Heath Ledger, com direito a boca rasgada e tudo mais. Uma mudança para melhor, pelo menos.

No geral, apesar de apanhar das resenhas do UniversoHQ mês a mês, estes dois meses tiveram boas histórias na DC, ainda que a premissa de resgate do duvidoso passado da DC não me agrade.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

capim maluco

CAPIM MALUCO - Flamingo
2008



O início promete um disco punk: Endoidar abre os trabalhos com um punk ramônico, vocal berrado e refrão "Eu vou endoidar, eu vou endoidar". Fica a impressão de que vai ser uma diversão ouvir o disco. Segue com As Moscas, que começa com violão e vocalização (!!), deixando o ouvinte com aquela cara de "Que porra é essa?". A letra é surreal: "As moscas transam no seca-louça/Para elas tanto faz/As moscas transam no seca-louça/Para elas qualquer lugar". A impressão passa a ser de um saco de gatos do qual se pode esperar qualquer coisa. O que também não deixa de ser bom. A próxima, Fool, começa com um som que lembra o rock brasileiro dos 80, algo como um Hojerizah com overdrive. A partir daí, variações dentro dos estilos das 3 primeiras músicas. Destaques para Fííí, Lago Seco, Wasted n' Old e o final sem noção de Sem Noção. Não é um disco que você vai lembrar daqui a alguns anos, mas é divertido. Vale a audição.

sábado, 8 de agosto de 2009

quadrinhos de junho (ainda...)

CRISE NAS MÚLTIPLAS TERRAS
Gardner Fox (roteiro), Mike Sekowsky (desenhos), Bernard Sachs e Sid Greene (arte-final)
(Panini Comics, 2008 - DC Comics, EUA, compilação de 1963 a 1966)


OS MAIORES CLÁSSICOS DOS VINGADORES - VOLUME UM
Roy Thomas (roteiro), Neal Adams, John Buscema e Sal Buscema (desenhos)
(Panini Comics, 2006 - Marvel Comics, EUA)


Definitivamente, os quadrinhos de super-heróis só chegaram à maturidade nos anos 80, pelas mãos de Alan Moore, Frank Miller e companhia. É a impressão que tenho toda vez que leio quadrinhos mais antigos como estes dois.

Crise nas Múltiplas Terras tem uma premissa bem interessante: mostrar as histórias nas quais foi sendo o formado o conceito do multiverso da DC Comics, e que veio a dar no melhor crossover já escrito, Crise nas Infinitas Terras. Se Crise nas Infinitas Terras foi o fim do multiverso - pelo menos durante 20 anos -, Crise nas Múltiplas Terras vem mostrar o início. Era preferível, porém, permanecer na ignorância. O que CIT tem de genial, CMT tem de horrível. Vou ser sincero: eu nunca li histórias em quadrinhos tão toscas. Eu sequer imaginava que pudesse existir algo tão ruim. É irônico perceber que um conceito tão legal quanto o multiverso surgiu em histórias com premissas ridículas, tramas ridículas e caracterizações de personagens ridículas. A Panini até que tentou dourar a pílula com capa dura e papel de luxo, mas o resultado é merda banhada a ouro. Só vale para colecionadores fanáticos ou alguém que, como eu, não fazia idéia da furada. Sequer consegui ler até o final. Quer um conselho? Passe longe!

Quanto à revista dos Vingadores, faz parte de uma coleção da Panini que visa publicar histórias clássicas de quadrinhos DC e Marvel. No caso, a história é a famosa Guerra Kree-Skrull, um arranca-rabo entre impérios alienígenas que encontra a Terra pelo caminho. Pra quem não lembra de quem se trata, os Vingadores são um grupo formado classicamente por Capitão América, Homem-de-Ferro, Thor e outros menos cotados. A história está longe de ser o lixo que forma Crise nas Múltiplas Terras, mas a trama é demasiado ingênua, confusa e o final força o suspension of disbelief até a ruptura. Fraco também.



FUGITIVOS: FUGINDO EM NOVA YORK (Marvel Especial #10)
Joss Whedon (roteiro)
(Panini Comics, 2008 - Marvel Comics)


Depois das bombas citadas, Fugitivos é um colírio mental. A premissa do grupo é bastante boa e Joss Whedon consegue criar uma história cheia de idas e vindas e prender a atenção até o fim. Histórias de grupos sempre têm o problema das personalidades de alguns integrantes ficarem indistintas ao leitor pela não exploração devido à quantidade de personagens. Aqui, Whedon consegue dar vida independente a cada um dos personagens, fazendo o leitor se preocupar com o destino deles. Sem falar que histórias de viagens no tempo, quando bem executadas (como é o caso), rendem excelentes tramas. Destaque para a interessantíssima relação entre a "fugitiva" Karolina, uma alienígena gay com aparência perfeitamente humana e Xavin, um superskrull (e, como skrull, transmorfo) em treinamento que se assume a forma e a personalidade de uma garota humana para namorar a Karolina. Outro ponto positivo é que a relação é explorada sem estereótipos nem cerimônia, rendendo ótimas situações.


OS LIVROS DO DESTINO (Universo Marvel Anual #2)
(Panini Comics, 2008 - Marvel Comics)

A história é um documentário biográfico sobre Victor Von Doom, narrado pelo mesmo e por pessoas importantes em sua vida. Muito bem escrita, prende do início ao fim, mostrando a infância em uma tribo cigana e os primeiros envolvimentos com magia e tecnologia, a ida para os EUA, o primeiro encontro com Reed Richards, a origem de suas deformações e por fim a revolução que o leva ao trono da Latvéria. Recomendo!


CONAN: AS JÓIAS DE GWALHUR

Embora eu nunca tenha me empolgado com nada do Conan, também nunca li nada que achasse ruim. Esta não foge à regra: é bem escrita, movimentada e tal. Não fará um não leitor de quadrinhos se render, mas é uma boa pedida pra quem curte. A história retrata a juventude de Conan e suas maquinações para obter um tesouro que o deixaria milionário: as Jóias de Gwalhur. Mas também há outros querendo a mesma coisa. Vale a leitura.


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A intenção de escrever sobre tudo de novo que é lido, visto, ouvido ainda está de pé. As informações faltando se devem ao fato de que as revistas não são minhas e já foram devolvidas no momento em que escrevo.