terça-feira, 24 de novembro de 2009

AMANDA BRECKER - Brazilian Passion

[2009]



Brazilian Passion é um disco que em parte me soa chato e em parte pouco familiar. Chato porque quase metade dele são versões de medalhões da MPB como Ivan Lins e Vinícius de Moraes. Eu costumo dizer que quem vai gravar versões não pode ser reverente, sob o preço de não acrescentar nada à obra original. E é justamente um tom de reverência que vejo nas versões aqui, com destaque para Lembra de Mim, de Ivan Lins, com participação do próprio, absolutamente dispensável.

A outra metade do disco é de canções em inglês, e nestas Amanda Brecker se sai bem melhor, em algo como um jazz com um clima meio "som de barzinho", um tipo de música com a qual confesso não estar habituado e ter pouquíssimas referências.

Destaco no disco as músicas Meant To Be, That Dance e Deny Deny, que são legais, e o proto-samba-reggae In the Sun. A versão de Nobre Vagabundo (sim, aquela da Daniela Mercury) também é interessante.

O disco é caprichado, bem tocado e tudo, mas não bateu (e olhe que apesar de minha implicância com cantoras de MPB, tenho andado de boa vontade). Certamente será melhor apreciado por fãs do estilo.

sábado, 21 de novembro de 2009

PITTY - Chiaroscuro

(2009)



É sempre bom receber nos ouvidos um candidato a melhor disco do ano. Chiaroscuro é um trabalho de peso e Pitty parece ter amadurecido bastante desde o já longínquo Admirável Chip Novo.

O disco abre muito bem com 8 ou 80, cometendo as pérolas "me dou bem com os inocentes/mas com os culpados me divirto mais" e "não conheço o que existe entre o 8 e o 80". Não bastasse a boa letra, o som é pesado na medida certa, bem tocado e com uma
vocalização legal no final.

Chiaroscuro é como um todo muito bem produzido, especialmente os vocais. Vozes sobrepostas com e sem variações de tom em praticamente todas as músicas e um monte de efeitos legais.

O som está menos pesado que os anteriores, com Pitty se dando ao luxo de experimentar outros ritmos, vide o quase-tango do início de Água Contida.

As letras do disco estão bem legais e muito acima da média do que se faz atualmente no Brasil. É interessante, em um universo tão masculino como o rock, ouvir um disco com letras tratando tão diretamente do universo feminino. Os casos mais explícitos são Me Adora e Desconstruindo Amélia. Esta última, por sinal, é provavelmente a melhor do disco, ótima melodia e um achado a comparação feita no título da figura da Amélia com a visão da mulher moderna que tem que lidar com o trio trabalho/filhos/vida pessoal.

Como sempre, lá venho fazer as ligações malucas de crítico-wannabe: Fracasso me lembrou Terminal Guadalupe, talvez a melodia seja parecida com alguma música do A Marcha dos Invisíveis, sei lá.

Além das citadas vale destacar a boa dosagem de metal e rock de Medo, o hit Me Adora (só de uma música legal ser hit já é uma grande coisa hoje em dia) e os bons ritmo e letra de Trapézio.

Chiaroscuro é um ótimo disco, dificilmente estará fora da minha listinha dos melhores de 2009.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

ANA CAÑAS - Hein?

(2009)



O nome me sugere uma cantora de MPB e, como tal, Ana Cañas já foi recebida por mim com desconfiança. Assim, é uma boa surpresa me deparar de cara com um rock vigoroso, Na Multidão, logo na primeira música. O resto do disco alterna momentos mais rock com músicas a la Marisa Monte. Até um quase-blues e um reggaezinho rolam ali pelo meio. A voz - ou a empostação, talvez - dela é meio estranha de início, mas rapidamente se acostuma.

Gostei da faixa de abertura Na Multidão (na qual Arnaldo Antunes participa com alguns gritos). Chuck Berry Fields Forever também é interessante pela letra curiosa e boa melodia. Gira me lembrou Virna Lisi, sabe lá por quê. A Menina e o Cachorro também é bem legal.

Sobre as letras, não achei nada que mereça destaque. O disco como um todo tem um forte apelo pop, todas as músicas são muito agradáveis e ganham o ouvinte de cara. Além disto, é muito bem produzido. Porém, o "popismo" e a produção me parecem excessivos, pois mesmo as pequenas transgressões aqui e ali parecem cuidadosamente estudadas. Ainda assim, descontados os poréns, o disco é uma boa pedida.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

+2

+2 - Ímã
(2009)


Apesar dos discos individuais de Moreno Veloso, Kassin e Domenico Lanceloti no projeto +2 não terem sido lá essas coisas, eu esperava um pouco mais do primeiro disco deles como banda.

Primeiro, o álbum é todo instrumental, o que torna tudo mais difícil. Não que instrumentais sejam ruins, mas é muito mais difícil fazê-los interessantes do que seria com discos com voz. Não é qualquer um que sabe fazer um La Villa Strangiato.

Contra o disco pesa o fato de que ele não incomoda (talvez, porém, seja justamente a intenção). Música ambiente perfeita, fiquei os 40 minutos do disco programando e o som não me atrapalhou em nada. O começo do disco é muito chato, mas vai melhorando do meio para o final.

As boas do disco: Padre Baloeiro tem um quê de experimental, com uma vocalização interessante e uma batida bem quebrada; Você Reclama tem uma linha de sopro/teclado/whatever (depois repetida com guitarra) muito legal; Sopro também foge à pasmaceira das músicas do início do disco; Em Volta de Você, não sei bem porquê, me lembrou um pouco Los Hermanos, é legalzinha; Percepção tem uma boa jogada de cordas.

Enfim, é um disco bonzinho, e só. Fica quase despercebido em meio à enxurrada de trabalhos interessantes de 2009.